Belo Horizonte entra no ritmo da maratona e corredores afinam corpo e mente para os 42 km
Preparação vai além do treino e exige estratégia
Belo Horizonte entra no ritmo da maratona e corredores afinam corpo e mente para os 42 km
Preparação vai além do treino e exige estratégia
A linha de chegada sempre rende a foto mais celebrada, o sorriso cansado, o peito arfando e a medalha no pescoço. Mas, na maratona, a história mais importante quase nunca acontece diante do público. Ela se constrói em silêncio: no despertador antes do amanhecer, na planilha de treinos grudada na geladeira, na refeição calculada e no descanso que deixa de ser luxo para virar compromisso.
Com a primeira edição da Maratona Oficial de Belo Horizonte marcada entre os dias 15 e 17 de maio, corredores de diferentes níveis vivem agora a fase menos glamourosa — e talvez a mais decisiva — da prova. São semanas em que cada escolha pesa no desempenho dos 42 quilômetros.
Pensada para oferecer um percurso mais fluido, com avenidas largas e menos elevações, a prova principal promete favorecer a performance. Ainda assim, o consenso entre os embaixadores do evento é direto: percurso bom não substitui preparação séria. “É o treino consistente que sustenta o corpo até o final”, destaca Lucas Condurú Davis, organizador da maratona.
Nesse processo, alimentação e hidratação deixam de ser detalhes. A nutricionista e embaixadora Lívia Ávila lembra que a resistência prolongada exige precisão quase cirúrgica. Carboidratos na medida certa, reposição hídrica adequada e sono regulado formam a base de uma corrida segura. Improvisar, nesse estágio, costuma cobrar caro.
Do ponto de vista físico, a resistência nasce da repetição. Para o profissional de Educação Física Esser Milagres, não é uma sequência de treinos intensos que prepara um maratonista, mas a soma disciplinada de semanas. “O corpo precisa aprender a permanecer em esforço por horas. Isso só acontece com constância”, resume.
Há ainda a leitura de terreno. Mesmo com proposta mais favorável, Belo Horizonte continua sendo Belo Horizonte — e isso significa respeitar as nuances do relevo. O corredor Allan Black explica que subidas e descidas alteram a distribuição de energia e exigem inteligência de prova. Saber quando acelerar e quando preservar pode decidir o rendimento nos quilômetros finais.
Mas nenhuma planilha vence sozinha o cansaço. Quando a musculatura pesa e a mente sugere desistência, entra em cena o preparo invisível. Para a atleta Paula Caninana, a maratona é também uma travessia psicológica. “Existe um diálogo interno o tempo todo. O corpo responde ao que a mente sustenta.”
No fim, cruzar a linha de chegada será apenas o instante visível de uma construção longa. Porque antes da medalha existe disciplina. Antes da celebração, existe rotina. E antes dos 42 quilômetros, há uma maratona inteira acontecendo dentro de cada corredor.
A maratona começa muito antes da largada — e Belo Horizonte já corre no ritmo dos 42 km. #MaratonaBH #CorridaDeRua
disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0S


Deixe uma resposta