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Bienal de São Paulo anuncia dupla curatorial e sinaliza nova virada conceitual

Amanda Carneiro e Raphael Fonseca lideram edição

Bienal de São Paulo define curadoria para 2027 com nomes de destaque. Edição promete novos olhares sobre arte e história. #Linkezine 🎨

Bienal de São Paulo anuncia dupla curatorial e sinaliza nova virada conceitual

Amanda Carneiro e Raphael Fonseca lideram edição

A Bienal de São Paulo, conhecida por antecipar movimentos e tensionar narrativas no circuito global da arte, começa a desenhar os contornos de sua próxima edição. Anunciada para o segundo semestre de 2027, a 37ª Bienal terá como curadores-chefes Amanda Carneiro e Raphael Fonseca — uma escolha que já sugere uma articulação entre diferentes geografias e leituras contemporâneas.

O anúncio, feito pela Fundação Bienal no dia 28 de abril, posiciona dois nomes com trajetórias marcadas por investigações críticas e projetos curatoriais consistentes. Amanda Carneiro, atualmente curadora sênior do MASP, construiu sua atuação dentro de um dos programas mais relevantes da instituição: o ciclo “Histórias”. Desde 2018, ela participa de exposições que revisitam narrativas oficiais e ampliam vozes historicamente marginalizadas, abordando temas que vão das diásporas afro-atlânticas às questões indígenas, feministas e LGBTQIA+.

Essa experiência recente se desdobra em projetos que extrapolam o espaço expositivo tradicional. Em 2026, Amanda assina a curadoria da mostra dedicada ao artista indígena Santiago Yahuarcani, cuja obra mergulha nas cosmologias do povo Uitoto e nas marcas deixadas pela exploração na Amazônia. Ao mesmo tempo, prepara, ao lado de Julieta González, a coletiva internacional Histórias Latino-americanas, que ocupará múltiplos andares do MASP com uma investigação sobre a construção simbólica e política da região.

Do outro lado da parceria está Raphael Fonseca, atualmente ligado à Culturgest, em Portugal, e com uma trajetória que transita entre América Latina e Europa. Sua presença amplia o diálogo internacional da Bienal, reforçando um olhar que cruza fronteiras e questiona centros tradicionais de produção artística.

Ainda sem tema divulgado, o projeto curatorial será apresentado no segundo semestre deste ano. Mas, a partir dos percursos dos curadores, já é possível antecipar uma edição que deve explorar disputas de narrativa, processos históricos e formas alternativas de imaginar o presente e o futuro.

A Bienal de São Paulo, desde sua criação, funciona como termômetro e provocação. Ao escolher uma dupla com forte engajamento em leituras críticas da história e da contemporaneidade, a instituição sinaliza uma continuidade — mas também uma reinvenção.

Entre arquivos, disputas e reinvenções, 2027 começa a ganhar forma. E, como costuma acontecer, a Bienal promete ser menos um ponto de chegada e mais um espaço de perguntas em aberto.

 

 

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