Senado impõe revés histórico a Lula e rejeita Jorge Messias para o STF
Votação secreta expõe fragilidade do governo
Senado impõe revés histórico a Lula e rejeita Jorge Messias para o STF
Votação secreta expõe fragilidade do governo
Brasília viveu nesta quarta-feira um daqueles dias em que o roteiro político parece escapar das mãos do governo. Entre corredores silenciosos, articulações de última hora e expectativas alimentadas pelo Palácio do Planalto, o Senado Federal decidiu contrariar a tradição institucional e rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. O gesto, raro e carregado de simbolismo, transformou-se em uma das derrotas mais expressivas de Luiz Inácio Lula da Silva neste terceiro mandato.
Advogado-Geral da União e nome de confiança do presidente, Messias chegou ao plenário após vencer a primeira barreira formal na Comissão de Constituição e Justiça, onde havia sido aprovado por 16 votos a 11 depois de uma sabatina que atravessou quase oito horas. O governo, embora atento aos sinais de desconforto, ainda trabalhava com a perspectiva de uma margem segura na votação final. Não foi o que se viu.
No escrutínio secreto, a matemática política revelou outra paisagem: 42 senadores votaram contra a indicação e apenas 34 se manifestaram favoravelmente. Para assumir a vaga na Corte, eram necessários ao menos 41 votos. O resultado não apenas sepultou a candidatura como escancarou uma resistência subterrânea que o Executivo não conseguiu neutralizar.
A recusa rompe uma sequência de 132 anos sem que o Senado barrasse um indicado ao STF — a última vez havia ocorrido em 1894, no governo Floriano Peixoto. Ao longo de toda a história republicana, somente cinco nomes haviam sido rejeitados, o que dá à sessão desta quarta um peso institucional incomum.
Nos bastidores, a indicação de Messias já carregava ruídos antigos. Formalizado apenas em abril, embora ventilado desde novembro, o nome enfrentou resistência dentro do próprio Congresso. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defendia outra alternativa para a vaga, e o atraso no trâmite revelou uma relação menos estável do que a narrativa oficial sugeria.
Durante a sabatina, Messias tentou oferecer um perfil conciliador: exaltou a separação entre os Poderes, apoiou debates sobre limites às decisões monocráticas e defendeu maior celeridade processual. Mas o discurso técnico não foi suficiente para dissolver a tensão política.
Agora, a cadeira no Supremo volta a ficar em suspenso. E Lula, mais uma vez, precisará redesenhar pontes em um Congresso que tem demonstrado ouvir menos o Planalto do que o governo imaginava.
Uma votação secreta, um silêncio no plenário e um recado alto para o Planalto: Jorge Messias ficou fora do STF. #PolíticaBrasileira #SenadoFederal
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