Curitiba apaga as luzes da rotina e acende dez dias de cinema em estado de descoberta
Festival reúne mais de 70 filmes inéditos
Curitiba apaga as luzes da rotina e acende dez dias de cinema em estado de descoberta
Festival reúne mais de 70 filmes inéditos
Junho chega e Curitiba, por alguns dias, troca o ruído apressado das ruas pelo silêncio atento das salas escuras. É quando a cidade volta a respirar cinema em sua forma mais intensa, curiosa e provocadora. De 4 a 13 de junho, o Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba celebra sua 15ª edição consolidado não apenas como vitrine da produção audiovisual contemporânea, mas como um território onde imagens do mundo inteiro se encontram para inquietar, emocionar e permanecer.
Distribuído entre o MON, Ópera de Arame, Cine Passeio, Cinemateca e Teatro da Vila, o festival transforma espaços culturais em pontos de travessia entre realidades. Serão mais de 70 filmes, entre curtas e longas, compondo uma programação que passeia entre a ousadia estética, o debate social, a memória política e a formação de novos públicos.
A abertura já anuncia esse fôlego de grande acontecimento. Na monumental Ópera de Arame, diante de uma tela de mais de 400 polegadas e público estimado em 1.500 pessoas, será exibido “Yellow Cake”, de Tiago Melo. O longa mistura ficção científica, tensão ambiental e crítica política ao narrar uma tentativa desastrosa de eliminação do mosquito da dengue por meio de urânio. Um começo explosivo, literal e simbolicamente.
Mas o Olhar de Cinema nunca foi apenas sobre estreias. Ele é sobre perspectivas. As mostras competitivas trazem produções brasileiras e internacionais que disputam espaço e prêmios em narrativas que cruzam Amazônia, periferias urbanas, exílio, guerras, espiritualidade, memória e futuro. Já a mostra Novos Olhares aposta em filmes que desafiam a linguagem e recusam qualquer conforto narrativo.
Há ainda um gesto importante de permanência: o festival conversa com crianças na Pequenos Olhares, reverencia clássicos mundiais no Cine Passeio, destaca a força do audiovisual regional na Mirada Paranaense e amplia negócios e conexões com o 2º MECI, Mercado do Cinema Independente.
Ao completar 15 anos, o evento confirma sua maturidade sem perder o impulso da descoberta. Continua sendo um festival para quem gosta de assistir, mas sobretudo para quem gosta de pensar o que assiste.
No encerramento, o inédito “Salvação”, do turco Emin Alper, promete deixar no ar a mesma sensação que acompanha toda boa sessão: quando as luzes se acendem, a história talvez esteja apenas começando dentro de quem viu.
Curitiba vira tela gigante em junho — e cada sessão promete uma nova forma de enxergar o mundo. #CinemaBrasileiro #FestivalDeCinema
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