Ana Holck celebra 25 anos de carreira com mostra inédita no Rio
Exposição reúne esculturas em cerâmica e aço
Ana Holck celebra 25 anos de carreira com mostra inédita no Rio
Exposição reúne esculturas em cerâmica e aço
Há artistas que transformam materiais. Outros transformam espaços. Ana Holck parece fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Em uma trajetória marcada por investigações sobre forma, repetição e percepção, a artista carioca chega aos 25 anos de carreira com uma nova exposição que amplia ainda mais os limites de sua pesquisa escultórica.
A mostra “Imprevistos”, que será inaugurada em 21 de maio de 2026 na galeria Maneco Müller: Multiplo, apresenta cerca de 16 obras inéditas produzidas neste ano. O conjunto reúne esculturas em cerâmica e aço inox que dialogam entre tensão, delicadeza e arquitetura — elementos já característicos do trabalho de Holck, mas agora atravessados por uma novidade: a presença da cor.
Conhecida por utilizar predominantemente porcelanas brancas e tons neutros, a artista incorpora pela primeira vez nuances cromáticas suaves em suas obras. São cores discretas, quase silenciosas, aplicadas como marcações sutis de ritmo e espaço. “Utilizo mais a cor como um marcador de tempo e espaço”, explica Ana Holck. Segundo ela, os tons funcionam como “não-cores”, evitando protagonismo visual e reforçando a construção espacial das peças.
A exposição apresenta trabalhos inéditos das séries “Desajustados”, “Entroncados” e “Grades”, todas desenvolvidas em 2026. As esculturas mantêm forte relação entre si por meio da repetição modular, da serialidade e das composições geométricas — características influenciadas diretamente pela formação da artista em arquitetura e urbanismo.
Ao longo da carreira, Holck consolidou uma linguagem que aproxima arte contemporânea, minimalismo e construção arquitetônica. Em vez de explorar a cerâmica pelo gesto artesanal tradicional, ela subverte o material utilizando uma prensa extrusora para criar tubos padronizados que depois são montados em estruturas rigorosamente compostas.
“O meu trabalho tem muita composição, muita montagem”, afirma a artista. A escolha pela cerâmica também representou uma mudança importante em seu processo criativo. Antes habituada a terceirizar parte da produção, Holck encontrou no contato direto com o material uma liberdade maior para experimentar e transformar a linguagem de suas esculturas.
Para a crítica e curadora Daniela Labra, que assina o texto da exposição, a artista desenvolve uma investigação contínua sobre estruturas espaciais e experiência corporal. “Seu trabalho dialoga criticamente com o discurso escultórico contemporâneo, mantendo ao mesmo tempo uma forte qualidade poética e experiencial”, destaca.
Entre módulos, vazios e ritmos silenciosos, “Imprevistos” surge não apenas como uma celebração de trajetória, mas como sinal claro de continuidade criativa — uma artista em constante movimento, mesmo quando trabalha com estruturas aparentemente estáveis.
Entre formas, módulos e novas cores, Ana Holck transforma matéria em experiência sensorial. #ArteContemporânea #ExposiçãoDeArte
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