No coração da Amazônia, SUS encurta rios e inaugura atendimento onde a saúde levava dias para chegar
Novo ponto médico atende mais de 30 comunidades ribeirinhas
No coração da Amazônia, SUS encurta rios e inaugura atendimento onde a saúde levava dias para chegar
Novo ponto médico atende mais de 30 comunidades ribeirinhas
Em uma região onde adoecer sempre significou remar contra o tempo, a inauguração de um pequeno prédio às margens do Rio Gregório muda mais do que a paisagem: muda a lógica da sobrevivência. Na comunidade do Ubim, em Eirunepé, interior do Amazonas, foi instalado o novo Ponto de Atendimento à Saúde José Rodrigues, estrutura que passa a oferecer suporte contínuo a mais de 30 comunidades da Reserva Extrativista do Rio Gregório.
Ali, o mapa sempre pesou mais que qualquer diagnóstico. Distante mais de 1.200 quilômetros de Manaus, o território depende exclusivamente da navegação fluvial. Para muitos moradores, uma simples consulta médica exigia até três dias de viagem em embarcações regionais — um percurso caro, cansativo e, em épocas de seca, muitas vezes inviável.
O novo equipamento surge justamente para interromper esse ciclo de adiamentos, improvisos e tratamentos interrompidos. Integrando o projeto SUS na Floresta, dentro do programa Juntos Contra a Pobreza, a unidade foi financiada pela Vale e pelo BNDES, com execução da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), gestão do IDIS e parceria com o poder público local. O investimento total foi de R$ 2 milhões.
Mais do que um posto tradicional, o espaço foi desenhado para responder à geografia amazônica. Há consultório multiprofissional, sala de triagem, farmácia básica, consultório odontológico, dormitório para profissionais em missão e, sobretudo, infraestrutura de internet e telemedicina. Isso significa que médicos e especialistas poderão acompanhar pacientes à distância, reduzindo a dependência exclusiva das raras visitas fluviais da saúde municipal.
Uma técnica de enfermagem ficará baseada permanentemente no Ubim, enquanto equipes com médico, enfermeiro e dentista farão missões periódicas ao longo do ano. Na prática, vacinação, pré-natal, monitoramento infantil e acompanhamento de hipertensos passam a ter continuidade — algo antes fragmentado pela distância.
Segundo levantamento da FAS, cerca de 40% das gestantes conseguiam realizar o pré-natal adequado, e dezenas de moradores com doenças crônicas enfrentavam dificuldade para manter tratamento. Para Dionilson Mota, morador da comunidade, o posto representa uma virada histórica. “Antes, a gente fazia o que dava com remédio caseiro ou ajuda do vizinho. Agora temos uma oportunidade para toda a reserva”, resume.
A iniciativa também dialoga com um debate mais amplo: garantir permanência digna às populações que vivem e protegem a floresta.
No Ubim, a construção ainda cheira a tinta nova. Mas para quem passou anos esperando o barco da assistência aparecer no horizonte, ela já tem outro nome: presença.
Onde antes a consulta vinha de barco, agora a saúde passa a ter endereço fixo. #Amazônia #SaúdePública
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