TCESP revela desperdício de R$ 4,3 milhões em remédios vencidos em São Paulo
TCESP revela desperdício de R$ 4,3 milhões em remédios vencidos em São Paulo
Fiscalização expõe falhas e falta de controle
Em muitas farmácias públicas, o tempo corre em duas direções opostas. De um lado, pacientes aguardam medicamentos essenciais para diabetes, transtornos psiquiátricos e outras condições crônicas. Do outro, caixas inteiras permanecem esquecidas em prateleiras até perderem a validade. Entre a urgência de quem precisa e a lentidão da gestão, o prejuízo ganhou números expressivos.
Uma operação surpresa do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP), realizada em 7 de maio, identificou o descarte de medicamentos que somam mais de R$ 4,3 milhões em perdas para os cofres públicos. Segundo o relatório da 2ª Fiscalização Ordenada de 2026, cerca de 63% desse valor corresponde a remédios que venceram antes de chegar aos pacientes.
A ação mobilizou mais de 380 auditores em 300 municípios paulistas e revelou um cenário marcado por desperdício, desabastecimento e fragilidades estruturais. O dado mais emblemático é o contraste entre estoques vencidos e a falta de medicamentos em 73% das farmácias fiscalizadas, especialmente de psicofármacos e tratamentos para diabetes.
A auditoria também apontou que mais da metade das unidades apresentava divergências entre o estoque físico e os registros oficiais. Em 81% das farmácias, não havia controle da demanda reprimida, o que impede dimensionar quantas pessoas deixaram de receber os medicamentos necessários.
As deficiências vão além da gestão. Mais de 55% das edificações operavam sem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Em várias unidades, auditores encontraram umidade e mofo, fatores que comprometem a conservação dos medicamentos e expõem riscos a funcionários e pacientes.
Embora 94% das farmácias contem com farmacêuticos habilitados, oito em cada dez profissionais não conseguem realizar acompanhamento clínico adequado devido à sobrecarga no atendimento ou à ausência de salas reservadas.
O relatório também destaca a judicialização da saúde no estado, que atualmente envolve mais de 659 mil pacientes atendidos por decisões judiciais. Quase metade das prefeituras não possui canais de diálogo com o Judiciário para buscar soluções que racionalizem esses gastos.
Nos próximos 30 dias, cada município receberá um relatório individualizado com cobranças específicas. Mais do que uma prestação de contas, o levantamento do TCESP lança luz sobre um paradoxo recorrente: enquanto medicamentos vencem em silêncio, milhares de pessoas seguem esperando pelo tratamento que não chegou.
Enquanto medicamentos vencem nas prateleiras, milhares de pacientes seguem esperando pelo tratamento. 💊⚠️ #SaúdePública #SãoPauloNoticias
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