Madrugada de tensão na USP expõe crise entre estudantes e reitoria
Ação policial encerrou ocupação no campus Butantã
Madrugada de tensão na USP expõe crise entre estudantes e reitoria
Ação policial encerrou ocupação no campus Butantã
O silêncio típico das madrugadas universitárias foi interrompido por sirenes, correria e gritos no campus da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã. Na madrugada deste domingo (10), a ocupação estudantil no prédio da Reitoria terminou em meio a uma operação policial que reacendeu o debate sobre violência institucional, direito à manifestação e permanência estudantil nas universidades públicas.
Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE-USP), policiais militares utilizaram escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo durante a ação de desocupação. O movimento estudantil afirma que diversos alunos ficaram feridos e quatro estudantes foram detidos, sendo encaminhados ao 7º Distrito Policial, na zona oeste da capital paulista.
Nas redes sociais, o DCE classificou a operação como “abusiva” e afirmou que não havia decisão judicial autorizando a retirada dos manifestantes. A entidade também denunciou que os estudantes teriam sido submetidos a um “corredor polonês para espancamento” durante a saída do prédio.
Do outro lado, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a operação mobilizou cerca de 50 policiais e foi concluída “sem feridos”. Em nota, a SSP declarou que todas as ações foram registradas por câmeras corporais e afirmou que eventuais denúncias de excesso serão investigadas. A pasta ainda informou a apreensão de objetos como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes, além da constatação de danos ao patrimônio público.
A ocupação havia começado na quinta-feira (7), impulsionada por reivindicações ligadas à permanência estudantil. Entre os principais pedidos estão o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), melhorias estruturais no Conjunto Residencial da USP (CRUSP) e mudanças nos restaurantes universitários.
Atualmente, o auxílio integral pago pela universidade é de R$ 885, enquanto o parcial chega a R$ 320. Estudantes afirmam que os valores não acompanham o custo de vida em São Paulo. Também denunciam problemas frequentes nas moradias estudantis, como mofo, falta de água e deterioração estrutural.
Nos bandejões, as reclamações envolvem filas extensas e qualidade da alimentação. Em nota, o DCE relatou episódios de refeições servidas com alimentos estragados e até presença de larvas.
Enquanto a reitoria lamentou os danos ao patrimônio e classificou a ocupação como uma escalada de violência, os estudantes insistem em um ponto simples e direto: querem ser ouvidos. E, depois da madrugada deste domingo, o conflito parece longe de terminar.
Da ocupação à madrugada de confronto: estudantes da USP denunciam violência policial durante ação de desocupação no campus. #USP #MovimentoEstudantil
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