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Plano contra facções enfrenta crise estrutural nas prisões de São Paulo

Falta de servidores preocupa especialistas

Plano federal contra o crime organizado esbarra na superlotação e na falta de servidores no sistema prisional paulista. #Linkezine 🚔

Plano contra facções enfrenta crise estrutural nas prisões de São Paulo

Falta de servidores preocupa especialistas

No papel, o plano “Brasil Contra o Crime Organizado” surge como uma das maiores ofensivas recentes do governo federal contra as facções criminosas que operam dentro dos presídios brasileiros. O investimento de R$ 330,6 milhões prevê tecnologia de ponta, integração nacional de inteligência e reforço máximo de segurança em 138 unidades prisionais consideradas estratégicas. Mas, em São Paulo, o projeto encontra um obstáculo antigo e persistente: o colapso estrutural do sistema penitenciário.

O anúncio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva reacendeu debates sobre o papel das prisões no fortalecimento do crime organizado. A proposta inclui drones, scanners corporais, bloqueadores de sinal, georradares e a criação do Centro Nacional de Inteligência Penal (CNIP), responsável por centralizar informações e monitorar lideranças criminosas espalhadas pelo país.

A estratégia mira diretamente os presídios onde, segundo o Ministério da Justiça, estão concentrados cerca de 80% dos líderes de facções catalogados no Brasil. O objetivo é replicar parte do modelo aplicado no Sistema Penitenciário Federal, baseado em isolamento rigoroso, inteligência integrada e controle operacional constante.

O problema, segundo representantes do sistema prisional paulista, é que a realidade cotidiana das unidades estaduais está muito distante da estrutura necessária para sustentar um plano dessa dimensão.

Com mais de 228 mil presos sob custódia, São Paulo possui atualmente pouco mais de 23 mil policiais penais. Na prática, isso significa que cada servidor é responsável, em média, por dez detentos — o dobro do limite recomendado pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), que estabelece a proporção ideal de um agente para cada cinco presos.

Para o Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal), a situação compromete diretamente qualquer tentativa de endurecimento do controle penitenciário.

“Em quatro anos, nenhum policial penal foi contratado, enquanto a Secretaria de Administração Penitenciária enfrenta a maior redução de pessoal de sua história”, afirma Fábio Jabá, presidente do sindicato e servidor com 27 anos de atuação no sistema.

Segundo ele, o congelamento de milhares de vagas, incluindo mais de 5 mil cargos de policiais penais, agravou um cenário já marcado por superlotação, desgaste operacional e déficit de efetivo.

Enquanto o governo federal aposta em tecnologia e integração de inteligência para enfrentar o avanço das facções, especialistas alertam que equipamentos modernos, sozinhos, não resolvem a ausência de profissionais suficientes dentro das unidades prisionais.

Entre corredores superlotados, estruturas antigas e equipes reduzidas, o sistema penitenciário paulista segue como um retrato de um problema maior: combater o crime organizado exige tecnologia, mas também depende de investimento humano e reconstrução estrutural.

 

Tecnologia contra facções, mas com presídios lotados e déficit de servidores: o desafio vai além dos equipamentos.  #SegurançaPública  #SistemaPrisional

 

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