O samba se despede de Noca da Portela, voz eterna da Majestade
Compositor deixa legado histórico aos 93 anos
O samba se despede de Noca da Portela, voz eterna da Majestade
Compositor deixa legado histórico aos 93 anos
Neste domingo, o silêncio chegou mais cedo à quadra da Portela. Entre bandeiras azul e branco, memórias e versos que atravessaram gerações, o samba brasileiro perdeu um de seus mais nobres guardiões. Morreu aos 93 anos o compositor Osvaldo Alves Pereira, o eterno Noca da Portela, baluarte da escola e um dos nomes mais respeitados da música popular brasileira.
Internado desde o dia 30 de abril em um hospital de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, com suspeita de pneumonia, Noca estava no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) desde 10 de maio. A causa da morte não foi divulgada. Até o momento, também não foram informados detalhes sobre o velório e o sepultamento.
Em nota oficial, a Portela decretou três dias de luto e homenageou aquele que chamou de “eterno baluarte”. Mineiro de origem, Noca chegou ao Rio ainda criança e encontrou na música o idioma definitivo de sua trajetória. Estudou violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Rio de Janeiro e, no fim da década de 1960, ingressou na ala de compositores da Portela a convite de Paulinho da Viola.
A partir dali, sua história se confundiu com a da própria escola. Noca venceu sete vezes disputas de samba-enredo, marca que o coloca entre os maiores campeões da agremiação. Entre suas obras mais emblemáticas estão “O Homem de Pacoval” (1976), “Gosto que me enrosco” (1995) e “ImaginaRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal” (2015), além de canções como “Virada”, eternizada na voz de Beth Carvalho, e “Portela Querida”, interpretada por Elza Soares.
Integrante do lendário Trio ABC da Portela, ao lado de Picolino e Colombo, Noca também atuou na vida pública. Em 2006, assumiu a Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro e, em 2017, lançou o álbum Homenagens. Em 2025, recebeu tributo na coleção Flores em Vida, com participação de grandes nomes da música brasileira.
Com a partida de Noca, o samba perde um compositor de versos elegantes e fidelidade rara à tradição. Mas sua obra permanece. E, como acontece com os grandes mestres, continuará ecoando sempre que a Portela entrar na avenida.
O samba perde um mestre, mas seus versos seguem desfilando pela avenida do tempo. 💙🤍#NocaDaPortela #SambaBrasileiro
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