Depoimento de ex-enteada expõe histórico de violência de Jairinho
Testemunho reforça tese de padrão de agressões
Depoimento de ex-enteada expõe histórico de violência de Jairinho
Testemunho reforça tese de padrão de agressões
No quarto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o ex-vereador conhecido como Jairinho, e de Monique Medeiros, uma voz jovem trouxe à tona lembranças dolorosas que ecoam além do caso Henry Borel. Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, hoje com 18 anos, relatou ao júri que, quando criança, foi vítima de agressões físicas praticadas por Jairinho.
O depoimento, prestado nesta quinta-feira no Tribunal de Justiça do Rio, foi marcado por emoção e pela decisão da jovem de não falar diante dos réus. A juíza Elizabeth Machado Louro aceitou o pedido, garantindo que Kaylane pudesse narrar sua experiência sem a presença direta de Jairinho e Monique.
Kaylane contou que conviveu com o ex-vereador por cerca de três anos, ainda muito pequena, em encontros familiares e passeios. Enquanto para os demais ele aparentava ser simpático e prestativo, para ela, quando ficavam sozinhos, o comportamento mudava. A jovem descreveu socos na cabeça, apertões no braço e episódios de afogamento em piscinas. Em um deles, chegou a machucar o braço, precisando usar gesso, mas foi orientada a dizer que a lesão ocorreu em uma brincadeira de jiu-jitsu.
A pressão para o silêncio também fazia parte da rotina. Jairinho dizia que, se ela contasse à mãe, Natasha, o relacionamento acabaria e a culpa seria dela. O medo e a manipulação a acompanharam por anos, até que, já mais velha, confidenciou parte do que viveu à avó.
O caso Henry Borel, morto aos quatro anos em março de 2021, trouxe de volta essas memórias. Kaylane afirmou sentir culpa, acreditando que, se tivesse denunciado antes, talvez o menino não tivesse morrido. Essa fala é considerada relevante para a acusação, pois reforça a tese de que Jairinho teria um histórico de violência contra filhos de mulheres com quem se relacionava.
O julgamento segue com a acusação de homicídio qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica. O depoimento de Kaylane, além de acrescentar elementos à narrativa judicial, expõe a dimensão de traumas que se perpetuam e a urgência de responsabilização.
Mais do que uma história individual, o relato revela como a violência doméstica pode se esconder sob aparências e como o silêncio imposto às vítimas carrega consequências que atravessam gerações.
Entre memórias e dor, Kaylane revela agressões sofridas por Jairinho e conecta sua história ao caso Henry Borel. #JusticaPorHenry #ViolenciaInfantil
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