SUS abre caminho para a medicina de precisão com teste genético para câncer de mama
Sequenciamento BRCA1/2 será ofertado na rede pública em até 180 dias
SUS abre caminho para a medicina de precisão com teste genético para câncer de mama
Sequenciamento BRCA1/2 será ofertado na rede pública em até 180 dias
O anúncio chegou como quem abre uma janela para o futuro da saúde pública brasileira. Em 13 de maio, o Diário Oficial da União publicou a Portaria SCTIE/MS nº 25/2026, oficializando a incorporação do sequenciamento de nova geração (NGS) para detecção de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 em mulheres com câncer de mama. O prazo para implementação é de até 180 dias, mas o impacto já começa a ser sentido no debate sobre oncologia e políticas públicas.
A decisão marca a entrada definitiva do Sistema Único de Saúde (SUS) na era da medicina de precisão. Mais do que um exame, trata-se de uma ferramenta capaz de alterar diagnósticos, orientar cirurgias preventivas e mapear famílias inteiras sob risco aumentado de câncer hereditário.
Segundo o geneticista Paulo Zattar Ribeiro, o movimento é estrutural: “O teste não beneficia apenas a paciente diagnosticada. Ele permite identificar familiares em risco e agir antes mesmo do surgimento da doença.”
Os genes BRCA1 e BRCA2 são conhecidos por sua associação com câncer de mama e ovário hereditários. Mulheres portadoras dessas mutações têm risco significativamente maior de desenvolver a doença ao longo da vida. A identificação precoce pode influenciar diretamente a escolha de terapias-alvo, a definição de cirurgias e estratégias de acompanhamento.
Até agora, o acesso ao sequenciamento genético permanecia restrito à rede privada, com custos elevados e, muitas vezes, necessidade de judicialização por pacientes do SUS. A portaria muda esse cenário, aproximando o exame da população em centros públicos especializados.
Mas há desafios. Especialistas alertam que a ampliação do acesso exige estrutura para aconselhamento genético e interpretação dos resultados. “O exame isoladamente não resolve tudo. É fundamental que exista acompanhamento especializado para orientar pacientes e familiares sobre o significado clínico dessas mutações”, reforça Ribeiro.
O Brasil se insere, assim, em um movimento global de expansão da oncogenética. Em tempos de terapias personalizadas, os testes moleculares se tornam peças-chave na definição de condutas médicas. A portaria não é apenas uma norma administrativa: é um sinal de que o futuro da saúde pública pode ser mais preciso, preventivo e humano.
Um exame, muitas vidas: o SUS agora oferece teste genético BRCA1/2 para câncer de mama. Futuro da saúde pública começa aqui. #MedicinaDePrecisão #SaúdePública
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