Agressão em Copacabana expõe tensão política e religiosa no cotidiano carioca
Idoso relata ataque com ofensas e ameaças
Agressão em Copacabana expõe tensão política e religiosa no cotidiano carioca
Idoso relata ataque com ofensas e ameaças
Na noite de quinta-feira, 11 de junho, Copacabana foi palco de um episódio que mistura violência física e intolerância política e religiosa. Mauro Figueiredo Rocha Dias da Costa, de 69 anos, contou ter sido agredido por três pessoas em frente ao prédio onde mora, na Rua Ministro Viveiros de Castro. O relato, registrado em boletim de ocorrência, descreve socos, imobilização e insultos que revelam a escalada de ódio no espaço público.
Segundo a vítima, o grupo — formado por um homem de terno e duas mulheres de porte atlético — teria proferido frases como “Seu petista de merda” e “É Bolsonaro, é Bolsonaro”, além de ameaças explícitas de morte. Mauro relatou ainda que teve o terço arrancado do pescoço, em meio a ofensas contra sua fé. O ataque durou cerca de cinco minutos, interrompido apenas quando um transeunte interveio.
O episódio repercutiu rapidamente. O deputado federal Reimont classificou a agressão como “inadmissível e revoltante”, destacando que Mauro carregava uma bolsa com adesivo da deputada Benedita da Silva (PT), o que reforçaria a motivação política. Para o parlamentar, o caso não é isolado, mas reflexo de um “ódio cego” que atravessa o país.
O prédio onde ocorreu a agressão possui câmeras de segurança, cujas imagens poderão auxiliar na identificação dos envolvidos. A Polícia Civil informou que o caso foi inicialmente registrado na 14ª DP (Leblon) e transferido para a 12ª DP (Copacabana). A vítima passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal, enquanto diligências seguem em andamento.
Mais do que um episódio de violência urbana, o ataque em Copacabana expõe fissuras sociais que se manifestam em gestos cotidianos. A mistura de política e religião, transformada em combustível para agressões, revela um cenário em que divergências ideológicas extrapolam o debate e se convertem em ameaça concreta.
A narrativa de Mauro, marcada por medo e resistência, insere-se em um contexto maior: o desafio de preservar o espaço público como lugar de convivência democrática. O caso segue em investigação, mas já deixa marcas na memória coletiva da cidade, lembrando que a violência política não é apenas manchete — é realidade que exige resposta firme e institucional.
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