Ricardo Siri inaugura “PRO-POLIS” no Museu Histórico da Cidade
Ricardo Siri inaugura “PRO-POLIS” no Museu Histórico da Cidade
Ricardo Siri inaugura “PRO-POLIS” no Museu Histórico da Cidade
Arte, abelhas e sociedade em diálogo vivo
No dia 27 de junho, o Museu Histórico da Cidade, na Gávea, abre suas portas para uma experiência singular: a exposição “PRO-POLIS”, do artista transdisciplinar Ricardo Siri. São cerca de 20 obras inéditas, criadas com mel, cera de abelha e própolis, que transformam materiais da natureza em dispositivos de reflexão sobre cultura, memória e coletividade.
Há oito anos, Siri iniciou sua jornada com abelhas nativas brasileiras, um mergulho que lhe rendeu prêmios e que, aos poucos, transbordou para sua produção artística. Em “PRO-POLIS”, esse percurso se materializa em pinturas e esculturas que revelam texturas, transparências e densidades próprias dos elementos produzidos pelas colmeias. A curadoria é de Fernanda Lopes, que destaca: “Os trabalhos estabelecem uma ponte entre natureza, cidade e cultura, revelando processos invisíveis de construção coletiva, proteção e transformação.”
A própolis, substância usada pelas abelhas para proteger a colmeia, ganha protagonismo como matéria pictórica. Em superfícies orgânicas de tons naturais, carrega vestígios de territórios e vegetações, transformando-se em arquivo vivo da paisagem. Algumas obras incorporam geoprópolis, ampliando o diálogo entre arte e biologia.
Siri também explora a cera de abelha em estruturas geométricas que remetem ao Movimento Neoconcreto, surgido em 1959. Em “Estudos para Movimento Mel Concreto”, a matemática das colmeias se encontra com a história da arte. Há ainda os “Meldrian”, releituras de Piet Mondrian feitas com cera e mel, sem pigmentos artificiais, revelando que cada espécie de abelha produz tonalidades únicas.
A tecnologia se insere de forma lúdica: QR codes criados com folhas de cera podem ser lidos por celulares, levando o público para dentro das colmeias. Em outras obras, formas hexagonais revelam imagens ocultas quando fotografadas, numa brincadeira com o olhar e com o hábito contemporâneo de registrar tudo pelas telas.
O artista também homenageia abelhas estrangeiras presentes no Brasil, criando mapas-múndi com suas ceras, em referência às migrações que moldaram sua própria história familiar. Estruturas em formato de colmos completam a mostra, conectando pesquisa, natureza e arte.
“PRO-POLIS” não é apenas uma exposição: é um convite a refletir sobre coexistência, cuidado e memória coletiva. Uma experiência que poliniza ideias e aproxima o público da complexidade invisível que sustenta a vida.
Arte viva: Ricardo Siri transforma mel e própolis em poesia visual no Museu Histórico da Cidade. #ArteContemporanea #NaturezaCriativa
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