O voo perigoso das pipas em Minas
Interrupções de energia crescem com uso de cerol
O voo perigoso das pipas em Minas
Interrupções de energia crescem com uso de cerol
Em Minas Gerais, a cena aparentemente inocente de crianças e adolescentes empinando pipas tem se transformado em um problema de grandes proporções. Mais de 1,1 milhão de clientes da Cemig ficaram sem energia em 2025 devido a ocorrências envolvendo pipas presas na rede elétrica. O número representa um aumento de 45,7% em relação ao ano anterior, e os primeiros meses de 2026 já confirmam a tendência preocupante: 879 ocorrências e mais de 205 mil consumidores afetados.
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o impacto foi ainda mais expressivo. Em 2025, 667,5 mil clientes sofreram com interrupções, e em 2026 já são mais de 108 mil prejudicados. A brincadeira, quando associada ao uso de cerol ou linha chilena, ganha contornos de risco grave, capaz de provocar acidentes fatais e desligamentos em larga escala.
O engenheiro Jorge Magno, do Centro de Operações da Cemig, alerta para os perigos invisíveis que rondam os cabos de energia. “Dependendo da situação, a pessoa pode ficar exposta a tensões de até 13,8 mil volts. É fundamental que pais e responsáveis orientem crianças e adolescentes sobre os riscos dessa prática”, afirma. Ele reforça que jamais se deve tentar recuperar uma pipa presa em postes ou fios, pois o improviso com objetos metálicos pode transformar a diversão em tragédia.
Além da ameaça direta à vida, o cerol e a linha chilena ampliam os danos coletivos. Ao entrar em contato com a rede elétrica, esses materiais podem provocar curtos-circuitos e rompimento de cabos, deixando bairros inteiros no escuro. A prática é proibida pela Lei Estadual nº 23.515/2019, que prevê multas pesadas para quem comercializa ou utiliza tais materiais.
A Cemig insiste em recomendações simples, mas vitais: soltar pipas apenas em locais abertos, longe da rede elétrica, rodovias e áreas de tráfego intenso; evitar dias de chuva ou com raios; e nunca tentar recuperar pipas presas. Em caso de acidente, a orientação é manter distância e acionar imediatamente a companhia pelo número 116.
O desafio é cultural e coletivo: transformar a tradição das pipas em uma prática segura, sem que a energia da brincadeira se converta em apagão ou risco de vida. Minas segue em alerta, e cada fio cortado pela irresponsabilidade é também um fio de história interrompido.
Quando a brincadeira vira risco: pipas com cerol deixam milhares sem energia em Minas. 🚫⚡ #EnergiaSegura #Cemig
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