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Quando o samba entra na galeria: o Pierrô da Vila Isabel ganha nova vida na Casa Brasil

Exposição termina nesta terça-feira no Centro do Rio

A escultura que emocionou a Sapucaí ganha novos significados dentro da galeria e reafirma o Carnaval como expressão da arte contemporânea. #Linkezine 🎭

 

Quando o samba entra na galeria: o Pierrô da Vila Isabel ganha nova vida na Casa Brasil

 

Exposição termina nesta terça-feira no Centro do Rio

Há obras que parecem se recusar a terminar quando as luzes da Marquês de Sapucaí se apagam. Elas encontram outros caminhos, outros públicos e novos sentidos. É exatamente isso que acontece com “Pierrô Apaixonado”, escultura criada para o desfile da Unidos de Vila Isabel em homenagem a Heitor dos Prazeres. Depois de desfilar na avenida, a peça atravessou a cidade e agora ocupa um espaço completamente diferente: a Casa Brasil, no Centro do Rio de Janeiro, onde pode ser visitada somente até esta terça-feira, 8 de julho, como parte da exposição “Casa Fluminense”.

A mostra reúne 97 obras de 60 artistas de diferentes regiões do estado e evidencia um Rio múltiplo, onde linguagens artísticas se cruzam sem pedir licença. Entre elas, o trabalho dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora reafirma uma ideia que a dupla defende há anos: não existem fronteiras definitivas entre a arte produzida para o Carnaval e a arte contemporânea.

Vencedores do Prêmio PIPA 2025, um dos principais reconhecimentos das artes visuais brasileiras, os artistas transformam a experiência da avenida em objeto de contemplação. Na galeria, a escultura deixa para trás o desfile, o samba-enredo, a evolução e a grandiosidade do carro alegórico para provocar um novo tipo de encontro com o público.

A peça integrou a alegoria “O Bonde do Pierrô”, inspirada na histórica marchinha “Pierrô Apaixonado”, composta por Heitor dos Prazeres em parceria com Noel Rosa. No desfile da Vila Isabel, o enorme pierrô abraçado a um bonde evocava tanto a urbanização do Rio de Janeiro quanto a tradição dos carnavais de rua que ocupavam esses antigos meios de transporte. A imagem também dialogava diretamente com a própria escola, cuja quadra funciona em uma antiga estação de bondes, no Boulevard 28 de Setembro.

Fora da Sapucaí, entretanto, a leitura se transforma. Segundo Leonardo Bora, a mudança de contexto faz com que a escultura adquira novas camadas de significado. Distante do rito carnavalesco, ela convida o visitante a observar detalhes, proporções e símbolos que, muitas vezes, passam despercebidos durante o desfile.

Essa travessia entre a festa popular e o espaço expositivo também ajuda a ampliar o legado de Heitor dos Prazeres, artista que transitou entre o samba, a pintura e a representação da vida carioca com naturalidade. Ver seu pierrô ocupar uma galeria reforça justamente essa vocação para o diálogo entre diferentes expressões culturais.

Enquanto Gabriel Haddad e Leonardo Bora seguem envolvidos na criação do Carnaval de 2027, “Pierrô Apaixonado” permanece como um lembrete de que algumas alegorias não encerram sua história na Quarta-feira de Cinzas. Elas continuam desfilando — agora, no silêncio atento das salas de exposição.

 

Serviço: Casa Fluminense”

até 8 de julho de 2026

Terça a domingo, das 10h às 17h

Rua Visconde de Itaboraí, 78 – Centro, Rio de Janeiro

Entrada gratuita

Classificação livre

Patrocínio – Petrobras, Ministério da Cultura e Governo do Brasil

 

 

Da Sapucaí para a galeria: o “Pierrô Apaixonado” prova que algumas obras continuam desfilando mesmo depois do Carnaval. Últimos dias para conferir essa travessia entre festa, memória e arte no coração do Rio. 🎭✨ #ArteContemporânea #CarnavalCarioca

 

 

 

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