Caminhoneiros elevam pressão sobre o Senado e convocam paralisação nacional com foco nos portos
Categoria cobra votação urgente do frete mínimo.
Caminhoneiros elevam pressão sobre o Senado e convocam paralisação nacional com foco nos portos
Categoria cobra votação urgente do frete mínimo.
À meia-noite desta segunda-feira, os motores que costumam movimentar parte da economia brasileira podem dar lugar ao silêncio estratégico de uma categoria acostumada a transformar estradas em palco de reivindicações. Liderados pela Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), caminhoneiros anunciaram uma paralisação nacional concentrada nos portos como forma de pressionar o Senado Federal a votar a Medida Provisória (MP) 1.343/2026 antes do fim de sua vigência.
O movimento é coordenado pelo presidente da Abrava, Wallace Landim, conhecido nacionalmente como “Chorão”. Segundo a entidade, a mobilização busca garantir a apreciação da proposta, que perde a validade nesta quinta-feira (16) caso não seja aprovada pelos senadores. A principal cobrança é direcionada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, responsável pela definição da pauta de votações da Casa.
A MP nasceu em março como resposta do governo à insatisfação do setor com a alta dos custos operacionais, especialmente do diesel, e às reclamações sobre o descumprimento da política de frete mínimo. Após ser aprovada pela Câmara dos Deputados em junho, a proposta passou a aguardar análise definitiva do Senado, onde enfrenta resistência de representantes ligados ao agronegócio e à indústria, segmentos que avaliam que as novas regras poderão elevar os custos logísticos.
Entre as principais mudanças previstas está a criação de um piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas empregados em regime CLT que realizam viagens de longa distância. O texto também endurece as punições para empresas que remunerarem transportadores abaixo da tabela oficial de frete, prevendo multas que podem chegar a R$ 1 milhão em casos de reincidência.
Outra alteração importante estabelece que o pagamento do frete deverá ocorrer em até 30 dias úteis, com antecipação mínima de 70% do valor para transportadores autônomos. A proposta ainda atualiza regras de fiscalização do excesso de peso e determina que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) revise a tabela do frete a cada seis meses ou sempre que houver variação superior a 5% no preço do diesel.
O texto também prevê anistia a multas aplicadas durante manifestações realizadas após as eleições de 2022 e converte em advertências algumas penalidades relacionadas ao transporte de cargas.
Mesmo com a expectativa de que a votação possa ocorrer nos próximos dias, a orientação da liderança do movimento é para que os caminhoneiros permaneçam mobilizados até que a apreciação da matéria seja oficialmente confirmada. O desfecho da votação poderá influenciar diretamente o transporte de cargas, a logística nacional e o equilíbrio entre os interesses da categoria, do setor produtivo e do poder público, em um debate que segue no centro da agenda política e econômica do país.
A mobilização dos caminhoneiros volta ao centro da política nacional. Entenda por que a categoria ameaça parar e o que está em jogo na votação do Senado. #PolíticaNacional #TransporteRodoviário
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