Adeus a Barretão: o produtor que ajudou a escrever a história do cinema brasileiro
Adeus a Barretão: o produtor que ajudou a escrever a história do cinema brasileiro
Luiz Carlos Barreto deixa legado de mais de 80 filmes
Há nomes que ultrapassam os créditos finais e passam a fazer parte da própria identidade de uma cinematografia. Luiz Carlos Barreto, o eterno Barretão, foi um deles. Produtor, diretor, roteirista e fotógrafo, ele morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos, no Rio de Janeiro, encerrando uma trajetória que atravessou mais de seis décadas e ajudou a consolidar alguns dos capítulos mais importantes do cinema brasileiro. Sua partida representa não apenas a despedida de um profissional admirado, mas de um dos grandes arquitetos da produção audiovisual nacional.
Nascido em Sobral, no Ceará, em 20 de maio de 1928, Barreto iniciou sua carreira no jornalismo e no fotojornalismo, atuando na histórica revista O Cruzeiro. Foi durante a cobertura das filmagens de Barravento, de Glauber Rocha, que descobriu sua verdadeira vocação. A experiência o aproximou do movimento que revolucionaria a produção cinematográfica brasileira: o Cinema Novo.
Como diretor de fotografia, participou de clássicos incontornáveis da filmografia nacional, entre eles Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha. No entanto, foi na produção cinematográfica que Barretão encontrou sua contribuição mais duradoura, tornando-se uma figura essencial para a viabilização de obras que marcaram gerações.
Ao lado da esposa, Lucy Barreto, fundou a L.C. Barreto Produções, responsável por uma das trajetórias mais relevantes da indústria audiovisual brasileira. A produtora esteve à frente de mais de 80 filmes e coproduções, reunindo títulos que se transformaram em referências culturais, como Garrincha – Alegria do Povo, A Hora e a Vez de Augusto Matraga, Bye Bye Brasil, Memórias do Cárcere e Dona Flor e Seus Dois Maridos.
Este último, dirigido por seu filho Bruno Barreto, tornou-se um fenômeno de público, permanecendo durante décadas como a maior bilheteria da história do cinema brasileiro, com cerca de 11 milhões de espectadores. A influência da família Barreto também alcançou reconhecimento internacional com O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?, ambos indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional.
Mais do que produzir filmes, Luiz Carlos Barreto ajudou a estruturar uma visão de cinema comprometida com a cultura brasileira, valorizando narrativas autorais, personagens complexos e histórias profundamente conectadas à identidade nacional. Sua atuação atravessou diferentes gerações de cineastas, demonstrando que produzir cinema também é construir oportunidades para que grandes histórias encontrem o público.
Barretão deixa a esposa, Lucy Barreto, os filhos Paula e Bruno Barreto, netos e um legado que continuará projetado nas telas e na memória do audiovisual brasileiro. Sua obra permanece como testemunho da capacidade do cinema de preservar culturas, provocar reflexões e emocionar diferentes gerações, reafirmando seu lugar entre os maiores nomes da história do cinema nacional.
O cinema brasileiro perde um de seus maiores produtores, mas ganha uma eternidade em forma de legado. Barretão ajudou a construir filmes que marcaram gerações. #CinemaBrasileiro #CinemaNacional
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