Na FLIP, Roberto Basílio de Matos propõe um olhar sobre o tempo fragmentado da literatura contemporânea
Autor debate memória e novas narrativas em Paraty
Na FLIP, Roberto Basílio de Matos propõe um olhar sobre o tempo fragmentado da literatura contemporânea
Autor debate memória e novas narrativas em Paraty
Em uma época em que o tempo parece escorrer entre notificações, múltiplas telas e informações instantâneas, a literatura segue cumprindo uma de suas funções mais essenciais: desacelerar o olhar e reorganizar a experiência humana. É justamente essa reflexão que estará no centro da participação do escritor e ator Roberto Basílio de Matos na programação da Casa Urutau, espaço que integra a agenda paralela da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP).
No dia 25 de julho, o autor participa da mesa “Este Velho Mundo Novo (e Louco): O Tempo do Fragmento”, ao lado dos escritores Leonardo Mourão Carrara e Zeh Gustavo. O encontro propõe discutir como a literatura contemporânea tem respondido às transformações da sociedade por meio de estruturas narrativas que rompem a linearidade e exploram temas como memória, aceleração, identidade e pertencimento.
A presença de Roberto Basílio de Matos na FLIP coincide com a repercussão de seu romance “Longitude 33º Oeste”, publicado pela Editora Urutau. Ambientada no isolamento do Atol das Rocas, a obra acompanha uma família confrontada pela escassez de recursos, pelo silêncio da natureza e pelos desafios da sobrevivência. Mais do que um romance de ambientação geográfica singular, o livro constrói uma reflexão sobre os vínculos humanos e a forma como a memória reorganiza a realidade.
Com uma narrativa composta por múltiplas perspectivas, o romance abandona a estrutura tradicional para aproximar o leitor da subjetividade de seus personagens. A fragmentação narrativa deixa de ser apenas um recurso estético e passa a representar a própria maneira como o indivíduo contemporâneo percebe o mundo: em lembranças descontínuas, experiências simultâneas e emoções que raramente seguem uma ordem previsível.
A trajetória de Roberto Basílio de Matos como ator e dramaturgo também imprime uma identidade particular ao texto. O ritmo das frases, a musicalidade da linguagem e a valorização da oralidade revelam uma escrita que privilegia tanto a sonoridade quanto a construção imagética, aproximando literatura e performance em uma mesma experiência sensível.
Ao discutir o tempo fragmentado, o autor amplia a reflexão para questões universais. O isolamento vivido pelos personagens transforma-se em metáfora para uma sociedade que, apesar de hiperconectada, convive com sentimentos de solidão, deslocamento e perda de referências. A literatura, nesse contexto, surge como espaço de resistência, capaz de reorganizar memórias e provocar novas formas de compreender a experiência humana.
A participação na Casa Urutau reforça o papel de Roberto Basílio de Matos entre os escritores que investigam os caminhos da ficção brasileira contemporânea. Em Paraty, o debate promete ir além das páginas dos livros, convidando o público a refletir sobre como narramos o presente e imaginamos o futuro da literatura em um mundo cada vez mais fragmentado.
Como a literatura traduz um mundo acelerado e fragmentado? Roberto Basílio de Matos leva essa reflexão à FLIP em um debate sobre memória, tempo e novas formas de narrar o presente. #LiteraturaBrasileira #FLIP2026
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