Entre o gesto e o vazio: exposição une Alice Shintani e Tomie Ohtake em encontro inédito no Rio
Mostra explora pintura, espaço e experiência estética
Entre o gesto e o vazio: exposição une Alice Shintani e Tomie Ohtake em encontro inédito no Rio
Mostra explora pintura, espaço e experiência estética
Algumas exposições aproximam artistas. Outras transformam a maneira como o público percebe a arte. É nessa segunda dimensão que se insere “Alice Shintani e Tomie Ohtake – Montanha e vale”, mostra que ocupa a CAIXA Cultural Rio de Janeiro entre 28 de julho e 15 de novembro de 2026. Ao reunir duas artistas de gerações distintas, a exposição propõe um percurso em que diferenças se tornam matéria-prima para novas interpretações, revelando como a pintura pode extrapolar a tela e ocupar o espaço, o corpo e o olhar.
Com curadoria de Ana Roman e Catalina Bergues, a exposição nasce da metáfora geográfica sugerida pelo título. Assim como montanhas e vales existem em relação um ao outro, as obras de Tomie Ohtake e Alice Shintani estabelecem um diálogo marcado menos pela semelhança do que pelas tensões que surgem entre permanência e transformação, síntese e expansão, silêncio e movimento.
A experiência começa ainda na primeira sala expositiva, onde pinturas e gravuras de Tomie Ohtake encontram a instalação Menas, de Alice Shintani. Estruturas leves, móveis e reconfiguráveis ocupam o ambiente como se redesenhassem continuamente a paisagem ao redor, criando uma convivência sensível com a força gestual e a precisão cromática que marcaram a trajetória de Tomie. Entre os destaques está uma pintura monumental da artista nipo-brasileira, reinstalada em uma parede curva, recuperando a relação espacial idealizada para sua apresentação original em 2001.
O percurso segue por um espaço de transição onde o visitante encontra a série Cru e Cozido, desenvolvida por Alice Shintani ao longo de uma década. Formada por dezenove pinturas e um chassi sem tela, a obra funciona como um organismo em constante transformação. Cada elemento parece reorganizar o tempo e a percepção, convidando o público a compreender que a arte também pode existir como processo, nunca como resposta definitiva.
Na segunda sala, Shintani amplia sua presença com uma instalação pictórica que faz das paredes uma extensão da própria obra. Nesse ambiente cromático e imersivo, as esculturas tubulares de Tomie Ohtake surgem como pontos de equilíbrio, estabelecendo uma conversa silenciosa entre volume, cor e movimento. O resultado é uma composição que dissolve fronteiras entre pintura, escultura e arquitetura.
Mais do que apresentar duas trajetórias fundamentais da arte contemporânea brasileira, Montanha e vale propõe uma reflexão sobre o encontro entre diferentes formas de criar e perceber o mundo. A mostra reafirma que a potência da arte está justamente nos espaços de contraste, onde o diálogo não busca consenso, mas novas possibilidades de leitura. Ao final da visita, permanece a sensação de que cada obra continua ecoando além da sala expositiva, acompanhando o visitante muito depois de deixar o museu.
Quando duas trajetórias se encontram, a arte ganha novas paisagens. “Montanha e vale” convida o público a atravessar cores, formas e sentidos. ✨🖼️#ArteContemporânea #ExposiçãoDeArte
disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0S


Deixe uma resposta