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“Olga” retorna ao Rio e transforma memória histórica em teatro no Armazém da Utopia

Montagem documental revisita a trajetória de Olga Benario

A Companhia Ensaio Aberto revisita a trajetória de Olga Benario em uma montagem que une teatro documental, memória e pesquisa histórica. #Linkezine 🎭

“Olga” retorna ao Rio e transforma memória histórica em teatro no Armazém da Utopia

 Montagem documental revisita a trajetória de Olga Benario

Há histórias que o tempo não consegue arquivar. Elas permanecem nos documentos, nas fotografias, nos testemunhos e, sobretudo, nas perguntas que cada geração volta a fazer. É nesse território entre memória e cena que a Companhia Ensaio Aberto apresenta uma nova temporada de “Olga”, a partir de 16 de agosto, no Teatro Vianinha, no Armazém da Utopia, no Rio de Janeiro.

Depois de uma temporada em São Paulo, o espetáculo permanece em cartaz até 28 de setembro, de sexta a segunda-feira, sempre às 20h. A montagem revisita a trajetória de Olga Benario Prestes a partir de documentos históricos, arquivos e testemunhos, reconstruindo em cena uma passagem particularmente delicada da história política brasileira.

Com dramaturgia e direção de Luiz Fernando Lobo, “Olga” mergulha em arquivos brasileiros, europeus e americanos para reunir documentos primários e confrontar versões cristalizadas pelo tempo. A proposta não é simplesmente ilustrar a história, mas interrogá-la — procedimento que aproxima a montagem da tradição do teatro documentário.

A linguagem remete à experiência desenvolvida por Erwin Piscator e posteriormente aprofundada por Peter Weiss, em uma dramaturgia que utiliza materiais históricos para tensionar a relação entre realidade e representação. No palco, documentos deixam de ser registros imóveis e passam a funcionar como matéria viva de investigação.

Tuca Moraes interpreta Olga, acompanhada pelo núcleo artístico da Companhia Ensaio Aberto. A equipe criativa reúne nomes como J.C. Serroni, responsável pelo cenário; Beth Filipecki e Renaldo Machado, nos figurinos; Cesar de Ramires, na iluminação; e Felipe Radicetti, responsável pela direção musical e trilha original. A produção executiva é de Aninha Barros.

A própria escolha do local acrescenta outra camada à montagem. O Armazém da Utopia está situado na Zona Portuária do Rio, região diretamente relacionada à história de Olga Benario Prestes. Foi dali que ela partiu, deportada a bordo do navio La Coruña, rumo à Alemanha nazista.

Assim, o endereço deixa de ser apenas espaço de apresentação e passa a integrar a dramaturgia invisível do espetáculo. A cidade, seus portos e suas memórias tornam-se parte da experiência.

Ao revisitar Olga, a Companhia Ensaio Aberto propõe que o teatro cumpra também a função de arquivo vivo: não para oferecer respostas definitivas, mas para impedir que determinadas perguntas desapareçam.

E talvez seja justamente aí que o teatro documental encontre sua maior potência. Quando a história volta à cena, o passado deixa de estar distante. Ele retorna para nos olhar de frente.

 

O palco como arquivo. A memória como matéria cênica. 🎭 A Companhia Ensaio Aberto retorna ao Rio com “Olga”, montagem documental que revisita a trajetória de Olga Benario Prestes em um endereço carregado de história: o Armazém da Utopia. #TeatroBrasileiro #ArtesCenicas

 

 

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