Escova de dentes da infância pode não acompanhar as necessidades da vida adulta
Saúde bucal muda com a idade — e a rotina também
Escova de dentes da infância pode não acompanhar as necessidades da vida adulta
Saúde bucal muda com a idade — e a rotina também
A escova de dentes escolhida na infância costuma permanecer por anos como referência na hora de cuidar da saúde bucal. O problema é que a boca também muda com o passar do tempo. Gengiva, esmalte, produção de saliva e até a maneira como os dentes são afetados pelos hábitos cotidianos passam por transformações que podem exigir novos cuidados.
Segundo a Dra. Brunna Bastos, mestre e cirurgiã-dentista pela Faculdade de Odontologia da USP e especialista da GUM, não existe uma única combinação de produtos adequada para todas as fases da vida. A escolha da escova, do fio dental e de outros recursos de higiene deve acompanhar as necessidades individuais.
Na infância, a atenção está especialmente voltada à prevenção de cáries. O esmalte dos dentes ainda está em processo de maturação, enquanto o consumo frequente de açúcar pode favorecer o aparecimento de lesões. Por isso, além da escovação supervisionada quando necessário, a rotina de higiene precisa ser adequada à idade da criança.
Durante a adolescência, as mudanças hormonais também chegam à gengiva. O aumento da vascularização pode deixar o tecido mais sensível e favorecer inflamações quando a higiene não é suficiente. A Organização Mundial da Saúde estima que a gengivite seja bastante comum entre adolescentes, reforçando a importância de uma rotina consistente nessa fase.
Na vida adulta, outros fatores entram em cena. Estresse, bruxismo e hábitos inadequados de escovação podem contribuir para desgaste dentário e problemas gengivais. Usar uma escova com cerdas mais duras e aplicar força excessiva, por exemplo, não significa necessariamente limpar melhor os dentes.
“Se o adulto continuar usando uma escova de cerdas médias ou duras, achando que força é sinal de limpeza, ele acelera o desgaste do esmalte e expõe a dentina”, explica Brunna.
Com o envelhecimento, a atenção se volta também para a xerostomia, conhecida como boca seca. A redução do fluxo salivar pode estar relacionada a medicamentos e outras condições comuns nessa etapa da vida. Como a saliva ajuda a proteger os dentes, sua diminuição pode aumentar a vulnerabilidade a cáries e outros problemas.
Para quem usa próteses ou possui implantes, a higiene cuidadosa também ganha importância. A limpeza precisa alcançar diferentes regiões da boca, incluindo os espaços entre os dentes e áreas de difícil acesso.
A principal mensagem, portanto, é simples: a higiene bucal não precisa ficar parada no tempo. À medida que o organismo muda, escova, fio dental e técnicas de limpeza podem precisar de ajustes. Uma avaliação odontológica periódica ajuda a identificar essas necessidades e a manter dentes e gengivas bem cuidados em cada etapa da vida.
Sua escova de dentes acompanha as mudanças da sua boca? 🦷 Infância, adolescência, vida adulta e envelhecimento trazem necessidades diferentes — e a rotina de higiene também pode precisar mudar. #SaudeBucal #Odontologia
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