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Mulheres chegam às eleições de 2026 sob pressão de uma violência que tenta tirá-las da política

Ameaças e ataques de gênero ainda cercam a disputa

Mulheres chegam às eleições de 2026 diante de um cenário de ameaças e ataques que ainda desafia a participação feminina na política. #Linkezine 🗳️

Mulheres chegam às eleições de 2026 sob pressão de uma violência que tenta tirá-las da política

Ameaças e ataques de gênero ainda cercam a disputa

 

À medida que a corrida eleitoral de 2026 ganha forma, uma questão ultrapassa a disputa por votos e programas de governo: a segurança das mulheres que ocupam ou pretendem ocupar espaços de poder. Candidatas e parlamentares continuam enfrentando ameaças, perseguições, humilhações e agressões que, muitas vezes, miram menos suas posições políticas e mais o fato de serem mulheres na vida pública.

Para Graziela Jurça Fanti, advogada especialista em mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, reconhecer essa diferença é fundamental para separar a crítica política legítima de ataques utilizados como instrumento de intimidação. Segundo ela, quando a violência explora a condição feminina para constranger uma candidata ou parlamentar, o objetivo pode ser justamente tornar sua permanência na política mais difícil.

Os números ajudam a dimensionar o cenário. A pesquisa Violência Política e Eleitoral no Brasil, realizada por Justiça Global e Terra de Direitos, registrou 714 ocorrências entre novembro de 2022 e outubro de 2024. Apenas em 2024, foram contabilizados 558 casos, incluindo 27 assassinatos, 129 atentados e 224 ameaças. A média chegou perto de duas vítimas por dia, em uma escalada muito superior à registrada em 2018.

Mesmo representando 34% das candidaturas nas eleições municipais de 2024, mulheres foram vítimas em 38,4% das ocorrências analisadas no período completo. Ao todo, foram identificados 274 ataques contra mulheres cisgênero e transexuais. As ameaças somaram 135 casos, entre elas 19 ameaças de estupro. Aproximadamente 40% das agressões aconteceram no ambiente virtual, enquanto 80% dos autores identificados eram homens cisgênero, incluindo parlamentares.

Quando a disputa ultrapassa a crítica política

A violência política contra a mulher passou a contar com uma definição específica na Lei nº 14.192/2021. A legislação considera crime ações, condutas ou omissões destinadas a impedir, dificultar ou restringir os direitos políticos femininos. O Código Eleitoral também prevê punição para assédio, constrangimento, humilhação, perseguição ou ameaça motivados por menosprezo ou discriminação relacionada a gênero, cor, raça ou etnia.

Isso não significa, porém, que toda crítica dirigida a uma mulher na política seja crime. Questionamentos sobre decisões, cobranças e divergências fazem parte do jogo democrático. A fronteira jurídica aparece quando a condição feminina é utilizada para intimidar, constranger ou tentar afastar a vítima da campanha ou do exercício do mandato.

Na prática, o desafio está em fazer a legislação funcionar. Relatório do Instituto Alziras, divulgado em 2025, identificou 62 ações penais por violência política de gênero iniciadas desde a criação da lei. Das 245 representações acompanhadas pelo Ministério Público Federal, apenas 11% haviam avançado para processos, e nenhuma das ações analisadas tinha condenação definitiva naquele momento. Já em agosto de 2026, o Ministério Público Eleitoral informou acompanhar 419 casos e ter apresentado 93 denúncias à Justiça.

Para Graziela, a existência da lei representa um avanço, mas não resolve sozinha o problema. Quando investigações não avançam ou denúncias demoram a produzir respostas, a sensação de impunidade pode manter o medo como ferramenta de afastamento.

Proteção também será parte da eleição

Preservar mensagens, vídeos, links, gravações e capturas de tela é importante para documentar os ataques e ajudar na identificação dos responsáveis. Dependendo do caso, as denúncias podem chegar à polícia, ao Ministério Público Eleitoral e à Justiça Eleitoral. Partidos, casas legislativas e plataformas digitais também têm papel importante na criação de canais de atendimento e mecanismos de proteção.

A eleição de 2026, portanto, será medida não apenas pelo número de mulheres que estarão nas urnas. O ambiente oferecido para que elas façam campanha, exerçam seus mandatos e permaneçam na política também dirá muito sobre a maturidade democrática brasileira.

No fim, garantir presença feminina na política significa assegurar que mulheres possam disputar ideias e projetos sem que ameaças e ataques de gênero sejam usados como preço pela ocupação de um espaço de poder.

 

Entrar na política ainda pode significar enfrentar uma batalha que não deveria existir: a violência de gênero. Nas eleições de 2026, proteger mulheres também será proteger a democracia. 🗳️ #Politica #Eleições2026

 

 

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