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Selic de 12% em 2027 pode não baratear o crédito com dívida em alta

 Fiscal forte será decisivo para reduzir o custo do dinheiro

A Selic pode chegar a 12% em 2027, mas a trajetória da dívida pública será decisiva para definir o custo real do dinheiro. 📊 #Linkezine

Selic de 12% em 2027 pode não baratear o crédito com dívida em alta

Fiscal forte será decisivo para reduzir o custo do dinheiro

A economia brasileira pode chegar a 2027 com uma combinação que exige atenção: atividade mais fraca, expectativa de Selic em 12% ao fim do ano e uma dívida pública projetada em 86,8% do PIB. Nesse cenário, a queda dos juros básicos não necessariamente significará dinheiro mais barato para empresas e consumidores.

O ponto central está na diferença entre a Selic e os juros praticados nos prazos mais longos. Mesmo que o Banco Central avance no ciclo de cortes, uma percepção negativa sobre as contas públicas pode manter elevado o prêmio de risco e pressionar a curva longa. É justamente essa parcela dos juros que influencia financiamentos, emissões de dívida, investimentos e operações estruturadas.

Para Cassio Viana de Jesus, da Pilar Capital, a pergunta para 2027 não deve ser apenas quanto o Copom conseguirá reduzir a Selic, mas quanto dessa redução chegará efetivamente ao custo de capital da economia.

A avaliação é compartilhada por especialistas que acompanham crédito e mercado de capitais. Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, aponta que uma deterioração fiscal pode elevar o prêmio de risco, pressionar o câmbio e dificultar a reancoragem das expectativas de inflação. O resultado seria uma política monetária ainda cautelosa mesmo diante de uma economia em desaceleração.

André Matos, da MA7 Capital, destaca que fiscal e juros estão diretamente conectados. Quando aumenta a desconfiança sobre a trajetória da dívida, os investidores exigem mais retorno para financiar o governo no longo prazo. Esse movimento acaba chegando às empresas, que encontram custos maiores para captar e refinanciar suas dívidas.

A situação ganha importância diante de sinais recentes de perda de ritmo da atividade. O IBC-Br registrou queda de 0,6% em junho e avanço de apenas 0,2% no segundo trimestre, enquanto o Focus projeta crescimento de 1,50% para 2027, inflação de 4,24% e Selic de 12% ao final do ano.

Para as empresas, o cenário tende a exigir uma gestão financeira mais cuidadosa. Alberto Friggi, da Friggi & Secco, ressalta que o impacto dos juros aparece principalmente quando chega a hora de renovar dívidas, financiar investimentos ou reorganizar o fluxo de caixa. Com crédito mais seletivo, garantias, prazos e capacidade de pagamento passam a pesar ainda mais nas decisões.

O mercado de capitais também deve sentir essa mudança. FIDCs, FIIs, FIPs e outras estruturas podem ganhar relevância como alternativas de financiamento, mas com maior atenção à qualidade dos ativos, liquidez, governança e proteção dos investidores.

No ambiente externo, a tarefa fica ainda mais complexa. Com os juros americanos ainda elevados e a inflação acima da meta, o Brasil precisa considerar também o retorno oferecido pelos ativos internacionais para definir seu próprio prêmio de risco.

Assim, 2027 pode marcar não apenas uma fase de cortes da Selic, mas uma disputa pela qualidade do dinheiro disponível. Se houver melhora fiscal, o espaço para uma queda mais efetiva do custo de capital aumenta. Caso contrário, o país pode descobrir que uma Selic menor não significa, necessariamente, crédito barato.

Selic menor significa crédito mais barato? Nem sempre. 📉
Com dívida pública elevada e risco fiscal no radar, 2027 pode exigir muito mais do que cortes na taxa básica para reduzir o custo do dinheiro.  #Economia #MercadoFinanceiro

 

 

 

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