Metadados de contrato de R$ 131 milhões ligam perfil de Moraes a documento do Banco Master
Metadados de contrato de R$ 131 milhões ligam perfil de Moraes a documento do Banco Master
Registro digital coloca contrato sob nova atenção
O caso envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (1º), após metadados de um contrato de R$ 131,2 milhões indicarem que uma versão do documento foi modificada por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O arquivo fazia parte do acordo entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e o então controlador do banco, Daniel Vorcaro.
Os registros foram encontrados em dados extraídos do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025. Segundo as informações divulgadas, Viviane enviou uma primeira versão da minuta ao banqueiro em 11 de janeiro de 2024. Quatro dias depois, Vorcaro devolveu o documento com alterações. Na mesma noite, às 23h04, o arquivo passou por uma nova edição associada ao perfil identificado como Alexandre de Moraes.
O detalhe, porém, exige cautela. Metadados registram a conta ou o perfil utilizado para uma alteração, mas não comprovam, sozinhos, quem estava efetivamente diante do computador naquele momento. O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro analisou a proposta, mas afirmou que sua participação ocorreu para verificar a existência de possíveis impedimentos legais à contratação. Segundo a banca, não havia previsão de atuação no STF relacionada ao banco.
O contrato previa pagamentos mensais de R$ 3 milhões líquidos durante 36 meses. Com os impostos, o valor bruto poderia chegar a aproximadamente R$ 131,27 milhões. Documentos mencionados em reportagens também apontam que o escritório recebeu mais de R$ 80 milhões em pagamentos entre 2024 e 2025.
A divulgação dos registros ocorre paralelamente a outro movimento dentro do STF. O ministro André Mendonça solicitou informações à Procuradoria-Geral da República sobre mensagens atribuídas a Vorcaro que mencionariam autoridades como Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Mendonça também determinou providências para esclarecer o conteúdo das mensagens e suas circunstâncias.
O episódio já chegou ao ambiente político. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou a relação entre o ministro e o contrato e defendeu a renúncia de Moraes, além de classificá-lo politicamente como advogado de Vorcaro. A declaração representa uma posição do senador, e não uma conclusão das investigações.
Com diferentes documentos e versões ainda sendo analisados, o caso permanece em desenvolvimento. O ponto central agora é separar os registros técnicos já identificados das conclusões que dependem de investigação — uma distinção essencial para compreender o alcance das novas informações sobre o Banco Master e seus personagens.
Um novo registro digital colocou o contrato de R$ 131 milhões do Banco Master sob os holofotes. O que os metadados mostram — e o que eles ainda não conseguem provar? 🏛️ #PolíticaBrasileira #BancoMaster
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