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MASP inaugura exposição que revisita a América Latina pela disputa de poder, território e identidade

Mostra reúne 187 obras e questiona narrativas do continente

O MASP transforma a arte em campo de debate sobre poder, território, colonialismo e futuro na América Latina. #Linkezine 🌎

 

MASP inaugura exposição que revisita a América Latina pela disputa de poder, território e identidade

Mostra reúne 187 obras e questiona narrativas do continente

 

A América Latina entra em cena no MASP não como uma geografia pronta, mas como um território permanentemente disputado. A partir de 4 de setembro, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura Histórias latino-americanas, exposição que reúne 187 trabalhos de 148 artistas de 20 países e transforma cinco galerias do Edifício Pietro Maria Bardi em espaço de reflexão sobre colonização, migração, resistência, economia e projetos de nação.

Com curadoria de Amanda Carneiro e Julieta González, a mostra percorre diferentes períodos históricos para revelar como imagens, símbolos e representações ajudaram a construir — e também contestar — as ideias de progresso, civilização e desenvolvimento atribuídas ao continente.

A exposição está dividida em cinco núcleos. Em O mundo ao revés, o conceito andino de pachakuti serve de ponto de partida para abordar a ruptura provocada pela invasão europeia e seus efeitos sobre povos indígenas, territórios e sistemas de conhecimento. A colonização aparece, assim, não apenas como episódio histórico, mas como estrutura que permanece produzindo consequências políticas e sociais.

Em Retórica do progresso, a promessa de modernização ganha outro enquadramento. Cidades, fábricas, rodovias e projetos urbanos aparecem simultaneamente como símbolos de desenvolvimento e mecanismos associados ao controle territorial, à desigualdade e à devastação ambiental. A própria Avenida Paulista, visível pelas janelas do museu, passa a integrar esse debate. No espaço, a obra Nuremberg Map of Tenochtitlan, de Mariana Castillo Deball, evidencia como a cartografia também foi instrumento de classificação e domínio.

O terceiro núcleo, Sociedades americanas, desloca o foco para experiências coletivas como quilombos, cooperativas, movimentos camponeses e pedagogias populares. São formas de organização que questionam modelos tradicionais de desenvolvimento e apresentam alternativas construídas de baixo para cima.

Estamos em salsa aproxima cultura e economia. Obras de Cildo Meireles e Antonio Caro discutem a presença de mercadorias globais e as relações de dependência que atravessam a identidade latino-americana. Coca-Cola, petróleo, banana, milho e outros produtos tornam-se símbolos de uma disputa que ultrapassa o mercado e alcança a soberania cultural.

No núcleo final, A queda do céu, inspirado no livro de Davi Kopenawa e Bruce Albert, a crise ambiental aparece como questão política e civilizatória. A destruição da Amazônia, o garimpo e o confronto entre diferentes concepções de futuro colocam em xeque a ideia de progresso ilimitado.

Mais do que oferecer uma interpretação definitiva, Histórias latino-americanas propõe uma pergunta incômoda: quem teve o poder de contar a história do continente — e quem ficou fora dela? A resposta permanece aberta, justamente onde a exposição pretende começar.

 

 

Quem conta a história da América Latina? O MASP abre esse debate com 187 obras que atravessam colonização, resistência, economia, território e identidade. Uma exposição para olhar o continente — e suas disputas — por outros ângulos.  #ArteLatinoAmericana #CulturaEPolítica

 

 

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