Pobreza e desigualdade são os maiores desafios para os jovens no Brasil, aponta Ipsos
Pesquisa revela barreiras sociais que afetam o futuro da juventude
Pobreza e desigualdade são os maiores desafios para os jovens no Brasil, aponta Ipsos
Pesquisa revela barreiras sociais que afetam o futuro da juventude
Antes de pensar no futuro, milhões de jovens brasileiros ainda precisam enfrentar obstáculos que pertencem ao presente. A pobreza, a desigualdade, a insegurança e o acesso desigual à educação formam um cenário que limita escolhas e ajuda a explicar por que o Brasil enxerga sua juventude de maneira diferente de boa parte do mundo.
É o que mostra o Education Monitor 2026, levantamento realizado pela Ipsos com 23.537 adultos em 31 países. Para 43% dos brasileiros, a pobreza e a desigualdade socioeconômica são os principais desafios enfrentados pelos jovens. O índice está 14 pontos percentuais acima da média global, de 29%, e representa um avanço significativo em relação aos 28% registrados no Brasil em 2025.
O dado aproxima o país de outras nações marcadas por profundas desigualdades sociais, como Argentina, Colômbia, Peru e África do Sul. Mais do que uma estatística, a percepção revela uma preocupação com as condições que determinam quem consegue estudar, trabalhar, circular com segurança e construir projetos para o futuro.
A saúde mental também ocupa posição de destaque. Enquanto é o principal desafio para a juventude na média global, no Brasil aparece entre as maiores preocupações, ao lado da baixa qualidade da educação. Para Rosi Rosendo, diretora de Opinião Pública da Ipsos, o futuro dos jovens brasileiros precisa ser analisado a partir das desigualdades que interferem diretamente no acesso a direitos e oportunidades.
A pesquisa também evidencia os limites da mobilidade social. Apenas 39% dos brasileiros acreditam que jovens de origem pobre têm um futuro promissor, enquanto 54% discordam. A percepção sugere que, para uma parcela significativa da população, o ponto de partida ainda exerce forte influência sobre o destino.
A insegurança é outro aspecto sensível. Somente 30% consideram o Brasil um país seguro para os jovens, índice muito abaixo da média global de 48%. No ambiente digital, o cenário também preocupa: 61% dos brasileiros consideram que os espaços on-line não são seguros para a juventude.
Ainda assim, há espaço para esperança. Para 56% dos entrevistados, os jovens terão uma vida melhor do que a de seus pais. A confiança na educação superior também permanece elevada, com 70% acreditando que um diploma universitário contribui para o avanço profissional.
Essa esperança, porém, convive com uma contradição. Para 61%, os jovens teriam mais oportunidades se deixassem o país.
O retrato apresentado pela pesquisa não fala apenas sobre juventude. Ele expõe uma pergunta maior sobre o Brasil: até que ponto o futuro pode ser realmente promissor quando as oportunidades continuam distribuídas de forma desigual? Entre esperança e incerteza, a resposta dependerá das escolhas feitas agora.
O futuro dos jovens brasileiros ainda começa de pontos muito diferentes. Pobreza e desigualdade aparecem como os maiores desafios para a juventude no país. 🌎 #DireitosHumanos #Juventude
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