Abolicionistas Brasileiras coloca artistas negras no centro da história da arte
Mostra no Museu Nacional de Belas Artes reúne 47 artistas e revisita trajetórias apagadas pelas narrativas oficiais
Abolicionistas Brasileiras coloca artistas negras no centro da história da arte
Mostra no Museu Nacional de Belas Artes reúne 47 artistas e revisita trajetórias apagadas pelas narrativas oficiais
No coração do Centro do Rio de Janeiro, um movimento de revisão da memória ganha espaço em uma das instituições mais importantes do patrimônio artístico brasileiro. A partir de 16 de setembro, o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) recebe “Abolicionistas Brasileiras”, exposição que reúne 47 artistas visuais negras e propõe novos caminhos para olhar a história, a arte e as personagens que foram silenciadas ao longo do tempo.
Promovida pelo Instituto Artistas Latinas, a mostra ocupa a histórica Sala Bernardelli, recentemente reformada, e integra a programação de reinauguração de três espaços expositivos do museu. Com entrada gratuita, o projeto também faz parte da Semana de Arte do Rio, realizada durante a ArtRio 2026.
Mais do que reunir obras contemporâneas, “Abolicionistas Brasileiras” estabelece um diálogo entre passado e presente. As artistas revisitarem figuras como Aqualtune, Anastácia, Maria Firmina dos Reis e Maria Felipa, mulheres negras cujas trajetórias atravessam a resistência, a luta pela liberdade, a educação e a construção de novos imaginários para o Brasil.
Com curadoria de Ana Carla Soler e co-curadoria de Francela Carrera e Carolina Rodrigues, a exposição apresenta diferentes linguagens e gerações da arte contemporânea. Nomes como Aline Motta, Renata Felinto, Lidia Lisbôa, Mônica Ventura, Guilhermina Augusti e Luna Bastos estão entre as participantes.
O retorno da mostra ao Rio de Janeiro também amplia sua relação com o próprio MNBA. Obras contemporâneas passam a dialogar com pinturas do acervo da instituição, incluindo trabalhos de Márcia Falcão e Maria Auxiliadora. O encontro entre diferentes tempos transforma o espaço expositivo em um território de disputa e reconstrução da memória.
Após receber mais de 100 mil visitantes em passagens pelo Museu de Arte do Rio, pelo MAMAM, em Recife, pela Casa da Cultura da América Latina, em Brasília, e pelo Centro Cultural São Paulo, o projeto chega ao MNBA em uma escala simbólica. A exposição é apresentada como a maior já realizada no Brasil dedicada exclusivamente à produção de mulheres artistas negras.
A proposta, no entanto, ultrapassa os números. “Abolicionistas Brasileiras” questiona quem foi autorizado a ocupar os registros oficiais da história da arte e quem permaneceu fora deles. Ao trazer essas mulheres para o centro da narrativa, a mostra não apenas recupera memórias: amplia o presente e aponta para futuros possíveis.
Em um museu que se aproxima de seus 90 anos, a exposição reforça que o patrimônio cultural também pode ser um espaço de revisão. E, dessa vez, as vozes que durante tanto tempo ficaram à margem ocupam, definitivamente, a sala principal.
Exposição: Abolicionistas Brasileiras
Curadoria: Ana Carla Soler
Co-curadoria: Francela Carrera e Carolina Rodrigues
Abertura: 16 de setembro de 2026 (quarta-feira), às 11h
Período expositivo: até 19 de dezembro de 2026
Horários: de terça a sábado, das 11h às 17h (última entrada às 16h30). No segundo sábado do mês, das 11h às 15h.
Local: Museu Nacional de Belas Artes – Sala Bernardelli
Endereço: Avenida Rio Branco, 199 – Centro – Rio de Janeiro (RJ)
Realização: Instituto Artistas Latinas
Projeto expográfico: Gisele de Paula
Valor: Entrada franca
Classificação etária indicativa: Livre
47 artistas negras, histórias apagadas e novas narrativas ocupando um dos principais museus do Brasil. “Abolicionistas Brasileiras” chega ao MNBA para colocar memória, arte e protagonismo no centro do debate. #ArteNegra #CulturaBrasileira
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