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Petisco, conversa e tradição: por que o boteco continua em alta?

Receitas regionais e o hábito de reunir amigos ajudam a explicar a permanência dos botecos na gastronomia brasileira

A gastronomia de boteco continua forte ao combinar receitas regionais, comida para compartilhar e o prazer de reunir pessoas à mesa. #Linkezine 🍻

 

Petisco, conversa e tradição: por que o boteco continua em alta?

Receitas regionais e o hábito de reunir amigos ajudam a explicar a permanência dos botecos na gastronomia brasileira

 

 

Há lugares em que comer é apenas uma parte da experiência. No boteco, a refeição costuma chegar acompanhada de conversa, encontros improvisados, porções no centro da mesa e uma permanência que nem sempre cabe no relógio. Em um país onde sair para comer também significa socializar, esse modelo segue ocupando espaço relevante na gastronomia brasileira.

Os números ajudam a dimensionar esse cenário. A alimentação fora do lar movimentou R$ 495 bilhões no Brasil em 2025, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Já no segundo trimestre de 2026, o setor registrou crescimento de 4,2% nas vendas em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o Índice Abrasel-Stone.

Dentro desse mercado, o boteco preserva uma característica que vai além do consumo: a capacidade de transformar comida em experiência coletiva. O Comida di Buteco, concurso que reúne mais de mil estabelecimentos em diferentes cidades brasileiras, é um dos exemplos de como essa cozinha ganhou projeção e passou a ser reconhecida como parte importante da cultura gastronômica nacional.

Para Viviane Ferreira, diretora do Boteco do Ciço, a força desse formato está justamente na relação estabelecida ao redor da mesa. “Quando alguém vai ao boteco, geralmente não está pensando apenas em fazer uma refeição. É um lugar para encontrar amigos, conversar, dividir uma porção e passar um tempo junto”, afirma.

Uma cozinha feita para compartilhar

Porções, petiscos e pratos servidos para várias pessoas ajudam a definir a lógica da comida de boteco. É uma gastronomia que favorece a divisão e cria uma dinâmica diferente daquela de uma refeição individual.

Ao mesmo tempo, o segmento acompanha mudanças no comportamento do consumidor sem abandonar seus fundamentos. Para Marcelio de Souza, diretor do Boteco do Ciço, comida bem executada, ambiente agradável e convivência continuam sendo elementos essenciais dessa experiência.

O sabor que identifica cada lugar

A força do boteco também está na capacidade de traduzir a cozinha de uma região. Em Fortaleza, ingredientes e receitas associados à gastronomia cearense ajudam a construir uma identidade própria, aproximando moradores e visitantes dos sabores locais.

Com origem em 1984, o Boteco do Ciço integra essa história. Desde 2016 sob o comando de Marcelio de Souza e Viviane Ferreira, a casa mantém dois endereços em Fortaleza, nos bairros Aldeota e Meireles. Entre almoços, happy hours e encontros familiares, o boteco segue cumprindo uma função que a gastronomia contemporânea nem sempre consegue reproduzir: colocar diferentes pessoas à mesma mesa.

E talvez esteja justamente aí sua permanência. Enquanto tendências gastronômicas mudam, a combinação de comida, conversa e pertencimento continua sendo uma receita difícil de substituir.

 

Petisco no centro da mesa, conversa sem pressa e sabores que contam histórias. O boteco continua sendo um dos endereços mais autênticos da gastronomia brasileira. 🍻🍽️  #ComidaDeBoteco #GastronomiaBrasileira

 

 

 

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Sobre Áila Neder (603 artigos)
Áila Neder, formada em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comissária de bordo, depois de sofrer muito por conta do que realmente queria fazer da vida, se encontrou nas panelas e na beira do fogão. Desde pequena ajudava sua avó nos preparos de bolos e doces para as festas da família, em 2013 resolveu enfrentar os preconceitos ainda existentes na profissão e abraçar de vez sua verdadeira vocação. Entrou para o curso de gastronomia no IBMR Laureate, estagiou em vários restaurantes franceses e hotéis internacionais, hoje formada faz pós-graduação em patisserie pela UNISUAM.

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