Loja física resiste ao avanço do e-commerce e ganha nova função no varejo
Tecnologia amplia canais, mas experiência presencial segue decisiva
Loja física resiste ao avanço do e-commerce e ganha nova função no varejo
Tecnologia amplia canais, mas experiência presencial segue decisiva
A tela mudou a forma de comprar, mas não eliminou a necessidade de estar diante do produto. Em 2026, o comércio eletrônico alcança seu maior nível de penetração registrado em levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil: 85% dos consumidores digitais das capitais fizeram ao menos uma compra online nos 12 meses anteriores à pesquisa. Ainda assim, quase metade, 49%, aponta a impossibilidade de ver ou tocar o produto como a principal desvantagem do ambiente digital.
A contradição revela uma transformação importante no varejo. A tecnologia não está simplesmente substituindo a loja física; está mudando a maneira como ela participa da jornada de consumo.
No segmento de materiais de construção, essa dinâmica fica especialmente evidente. Pesquisa da Globo em parceria com a MindMiners mostrou que 64% dos entrevistados preferiam comprar esses produtos exclusivamente em lojas físicas. Conferir a qualidade, receber imediatamente e contar com um estabelecimento próximo aparecem entre os principais motivos.
Na Irmãos Soares, empresa com sede em Goiânia e mais de 18 lojas em Goiás e Minas Gerais, a convivência entre canais já faz parte da rotina. Segundo Caio Barbosa, gerente nacional de vendas, alguns consumidores resolvem pedidos pelo WhatsApp, enquanto outros precisam da experiência presencial antes de decidir.
“O cliente tem momentos de compras distintos. Em alguns, quer resolver tudo rapidamente pelo WhatsApp. Em outros, prefere ir à loja, tocar e ver o produto e conversar com alguém”, afirma.
A diferença entre os canais também aparece nos resultados. Nos últimos três anos, as vendas nas lojas físicas da empresa cresceram, em média, entre 17% e 18%. No digital, a expansão foi superior a três dígitos, embora partindo de uma base histórica menor.
Nesse cenário, a loja deixa de ser apenas um ponto de venda e passa a funcionar como uma interface física de uma operação cada vez mais conectada. Experimentar materiais, comparar acabamentos, receber orientação e sair com o produto imediatamente são experiências que continuam relevantes.
A integração já aparece no comportamento dos próprios consumidores. Na pesquisa da Globo e da MindMiners, 76% gostariam de montar uma lista de produtos e receber o orçamento pela internet, enquanto 64% demonstraram interesse em comprar online e retirar na loja.
É o chamado varejo omnichannel ganhando espaço: pesquisar em uma plataforma, conversar pelo WhatsApp, visitar a loja, conferir o produto e concluir a compra onde for mais conveniente.
Para Barbosa, a tecnologia não elimina a relação humana. “O físico não vai acabar, não vai morrer. Ele vai se adaptar”, avalia.
A estratégia também estará presente no Dia do Cliente, em 15 de setembro, quando a Irmãos Soares prevê descontos de até 40% em algumas linhas, especialmente pisos e porcelanatos, além de novos modelos e fornecedores. As unidades também terão café da manhã para os clientes.
No varejo contemporâneo, portanto, a disputa já não parece ser entre loja e internet. O futuro está na capacidade de fazer os dois funcionarem como partes de uma mesma experiência.
Comprar com um clique é prático. Mas tocar, comparar, perguntar e sair com o produto na mão ainda fazem diferença. O varejo do futuro não escolhe entre físico e digital: conecta os dois. #TecnologiaNoVarejo #EcommerceBrasil
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