Integração entre terapias ganha força no cuidado de crianças e adolescentes com autismo
Modelo interdisciplinar busca transformar avanços em habilidades funcionais
Integração entre terapias ganha força no cuidado de crianças e adolescentes com autismo
Modelo interdisciplinar busca transformar avanços em habilidades funcionais
Quando diferentes especialistas acompanham uma mesma criança, o desafio não termina em reunir profissionais sob o mesmo teto. Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Fisioterapia e outras áreas precisam compartilhar informações, alinhar objetivos e acompanhar resultados para que uma habilidade desenvolvida em uma sessão possa aparecer também em casa, na escola e em outros espaços da rotina.
A discussão ganha relevância diante dos primeiros dados oficiais sobre autismo no Brasil. Segundo o Censo Demográfico 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,4 milhões de brasileiros declararam ter recebido diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), equivalente a 1,2% da população. Entre crianças e adolescentes de até 19 anos, são aproximadamente 1,1 milhão de pessoas.
A maior proporção foi registrada entre crianças de 5 a 9 anos, faixa em que 2,6% apresentavam diagnóstico declarado de autismo. Com esse cenário, a organização do cuidado passa a exigir não apenas oferta de atendimento, mas também continuidade entre as diferentes frentes terapêuticas.
Em 2026, o Ministério da Saúde colocou em consulta pública a revisão do Guia de Cuidado Integral às Pessoas com TEA, ampliando a discussão sobre a articulação da atenção em diferentes fases da vida.
Na prática, esse princípio orienta o modelo adotado pela CompletaMente, que reúne 112 profissionais de nove especialidades em quatro unidades e realiza cerca de 13 mil atendimentos mensais. Os casos são discutidos periodicamente pelas equipes responsáveis por cada criança, com apoio de coordenações e supervisões técnicas.
Segundo Ronaldo Ranieri, diretor da instituição, a presença de vários especialistas não garante, por si só, um trabalho interdisciplinar. A integração depende de troca de informações, definição conjunta de prioridades e acompanhamento global do desenvolvimento.
Um exemplo está na relação entre Fonoaudiologia e Psicologia. Enquanto uma área pode trabalhar linguagem, compreensão e expressão, a outra pode contribuir para iniciativa comunicativa, interação social e aplicação dessas habilidades em diferentes contextos. O objetivo é fazer com que a aprendizagem ultrapasse os limites da sala de atendimento.
Essa lógica também alcança Fisioterapia e Psicomotricidade, especialmente em questões como equilíbrio, coordenação, planejamento motor, consciência corporal e funcionalidade. A troca entre profissionais permite observar como aspectos motores, sensoriais, comportamentais e comunicacionais podem interferir uns nos outros.
Outro conceito central é a generalização: a capacidade de aplicar uma habilidade aprendida em diferentes ambientes, com pessoas e situações distintas. Pedir ajuda durante uma terapia é apenas uma etapa; utilizar esse recurso espontaneamente em casa ou na escola representa um avanço funcional mais amplo.
Nesse processo, a família também participa. Orientações parentais ajudam a levar estratégias para o cotidiano e permitem que os profissionais considerem informações obtidas fora da clínica.
A proposta, em última análise, é simples de enunciar e complexa de executar: fazer com que o desenvolvimento não fique restrito ao consultório. Quando equipe e família trabalham sobre objetivos compartilhados, cada conquista ganha possibilidade de continuidade — e é justamente nessa passagem para a vida real que a terapia encontra sua medida mais concreta.
Mais do que reunir especialistas, o desafio é fazer as terapias conversarem. A integração entre áreas pode ajudar a transformar conquistas realizadas na clínica em habilidades usadas no cotidiano. #Autismo #SaúdeInfantil
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