Novo tratamento sem platina amplia perspectivas contra o câncer de bexiga
Estudo mostra ganho de sobrevida após a cirurgia
Novo tratamento sem platina amplia perspectivas contra o câncer de bexiga
Estudo mostra ganho de sobrevida após a cirurgia
Durante décadas, a quimioterapia à base de cisplatina ocupou posição central no tratamento do câncer de bexiga músculo-invasivo. Agora, um estudo internacional de fase 3 apresenta uma mudança relevante nesse cenário: a combinação de enfortumabe vedotina e pembrolizumabe, administrada antes e depois da cirurgia, apresentou resultados superiores ao tratamento neoadjuvante convencional com gemcitabina e cisplatina.
Os dados do estudo KEYNOTE-B15/EV-304 mostram que 79,4% dos pacientes tratados com a nova combinação permaneceram livres de eventos em dois anos, contra 66,2% entre aqueles que receberam quimioterapia baseada em cisplatina. A sobrevida global estimada no mesmo período foi de 86,9% e 81,3%, respectivamente. O estudo envolveu 808 pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo localizado.
A diferença está também no mecanismo de ação. O pembrolizumabe é uma imunoterapia que bloqueia a proteína PD-1 e ajuda o sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais. Já o enfortumabe vedotina é um conjugado anticorpo-fármaco direcionado à proteína Nectin-4, presente em grande parte dos tumores uroteliais. A combinação não utiliza platina e foi avaliada em um esquema perioperatório, que inclui tratamento antes e depois da cirurgia.
Para o paciente, a mudança pode ser especialmente relevante porque a cisplatina nem sempre é uma opção. Idade, função renal, condições clínicas e outros fatores podem limitar sua utilização. Em julho de 2026, a FDA aprovou a combinação de enfortumabe vedotina e pembrolizumabe como tratamento neoadjuvante e adjuvante para adultos com câncer de bexiga músculo-invasivo, independentemente da elegibilidade à cisplatina.
O câncer de bexiga continua sendo um importante problema de saúde pública. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 13.110 novos casos por ano no Brasil no triênio 2026–2028, sendo 9.040 em homens e 4.070 em mulheres. O tabagismo é um dos principais fatores de risco, e a exposição ocupacional a determinadas substâncias químicas também está associada à doença.
Um dos sinais que merecem atenção é a presença de sangue na urina, mesmo quando não há dor. O diagnóstico, porém, depende de avaliação médica e exames específicos.
Os resultados do KEYNOTE-B15 abrem uma nova frente na uro-oncologia, mas não significam que a quimioterapia tenha deixado de existir ou que todos os pacientes devam receber a mesma estratégia. A escolha depende do estágio da doença, das condições clínicas e da avaliação individual.
O avanço está justamente aí: ampliar as possibilidades de tratamento e aproximar a oncologia de terapias cada vez mais direcionadas. A próxima etapa será entender como esses resultados serão incorporados à prática clínica e quais pacientes poderão obter o maior benefício.
A uro-oncologia acaba de ganhar um dado importante: uma combinação de imunoterapia e terapia-alvo apresentou resultados superiores à quimioterapia baseada em cisplatina em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo. 🧬 #CancerDeBexiga #Oncologia
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