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Disputa pelo comando da ONU expõe as novas tensões da geopolítica mundial

 Sucessão de Guterres testa o equilíbrio entre potências

A escolha do próximo secretário-geral da ONU ocorre em meio a disputas entre grandes potências e pressões por renovação do multilateralismo. #Linkezine 🌎

Disputa pelo comando da ONU expõe as novas tensões da geopolítica mundial

Sucessão de Guterres testa o equilíbrio entre potências

A sucessão de António Guterres entrou em uma etapa decisiva e acontece em um momento em que a diplomacia multilateral enfrenta algumas de suas maiores pressões recentes. O mandato do atual secretário-geral termina em 31 de dezembro de 2026, e a escolha de seu sucessor mobiliza Estados-membros, Conselho de Segurança e Assembleia Geral em um processo que combina regras institucionais, negociações diplomáticas e interesses geopolíticos.

O procedimento foi formalmente iniciado em novembro de 2025. Pela regra estabelecida no Artigo 97 da Carta da ONU, a Assembleia Geral nomeia o secretário-geral mediante recomendação do Conselho de Segurança. O processo atual incorporou etapas de maior transparência, incluindo diálogos públicos com os candidatos, apresentação de currículos, declarações de visão e informações sobre financiamento de campanha.

Na prática, porém, a etapa mais sensível continua concentrada no Conselho de Segurança. As chamadas straw polls, votações informais realizadas entre os 15 integrantes do órgão, ajudam a medir o nível de apoio às candidaturas antes de uma recomendação formal. Para avançar, um nome precisa alcançar pelo menos nove votos favoráveis e não receber veto de nenhum dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.

O cenário ganhou novos contornos ao longo de 2026. A lista oficial passou a reunir candidatos de diferentes regiões, incluindo Rebeca Grynspan, da Costa Rica; Carolyn Rodrigues Birkett, da Guiana; Rafael Mariano Grossi, da Argentina; Michelle Bachelet, do Chile; María Fernanda Espinosa, do Equador; Macky Sall, do Senegal; Olara Otunnu, de Uganda; e Ivonne Baki, do Equador.

As primeiras sondagens informais também demonstraram que a disputa permanece aberta. Em julho, Rebeca Grynspan apareceu à frente na primeira votação informal divulgada por fontes diplomáticas. Em agosto, uma nova rodada colocou Carolyn Rodrigues Birkett na liderança entre os oito nomes então considerados, sem que nenhum candidato alcançasse os nove votos necessários para assegurar uma recomendação.

A dimensão regional também chama atenção. Há uma expectativa diplomática de que a América Latina e o Caribe tenham peso importante na sucessão, enquanto a possibilidade de uma mulher ocupar pela primeira vez o cargo acrescenta outra camada à disputa. Em mais de oito décadas de existência, a ONU nunca teve uma secretária-geral.

O próximo ocupante do cargo encontrará uma organização pressionada por guerras, rivalidades entre grandes potências, demandas por reforma institucional e questionamentos sobre a capacidade do multilateralismo de produzir consensos. O secretário-geral não governa os Estados-membros, mas exerce influência na agenda internacional, na diplomacia e na articulação política da organização.

É justamente aí que a sucessão ultrapassa a escolha de um nome. O processo revela o espaço — e também os limites — da cooperação internacional em uma ordem mundial marcada pela competição. Até o fim do ano, a diplomacia terá de transformar essa disputa em consenso. E o resultado dirá muito sobre o lugar que a ONU ocupará no mundo a partir de 2027.

 

Quem comandará a ONU a partir de 2027? A sucessão de António Guterres acontece em um cenário marcado por guerras, rivalidades entre potências e pressão por reformas no sistema multilateral. 🌎#Geopolitica #RelacoesInternacionais

 

 

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