Fernanda Leme estreia exposição no Rio e convida público a refletir sobre memória, tempo e transformação
Mostra reúne 70 obras inéditas e interativas
Fernanda Leme estreia exposição no Rio e convida público a refletir sobre memória, tempo e transformação
Mostra reúne 70 obras inéditas e interativas
Em tempos marcados pela velocidade das telas e pelo consumo instantâneo de imagens, a arte de desacelerar o olhar se torna um convite cada vez mais raro. É justamente essa experiência que a artista carioca Fernanda Leme propõe na exposição “Quando aparecer um rio atravesse-o”, que será inaugurada em 5 de novembro no Centro Cultural Candido Mendes, em Ipanema, reunindo cerca de 70 obras entre trabalhos inéditos, séries consagradas e propostas que contam com a participação do público.
Com curadoria de Denise Araripe, a mostra mergulha em temas profundamente contemporâneos, como a efemeridade das imagens, a passagem do tempo e a finitude. Mais do que apresentar obras prontas, a exposição convida os visitantes a refletirem sobre como memórias são construídas, desconstruídas e transformadas em novos significados ao longo da vida.
Um dos destaques da exposição é uma pesquisa inédita desenvolvida por Fernanda ao longo deste ano. A artista parte de suas próprias pinturas para criar novas composições. As obras são recortadas em tiras horizontais de diferentes tamanhos e remontadas de forma fragmentada, criando imagens abstratas que preservam vestígios da narrativa original. O processo dialoga com conceitos da pós-produção artística e com reflexões sobre a reorganização constante das experiências humanas.
Entre os elementos recorrentes surgem barcos e referências à travessia, símbolo que atravessa toda a exposição. Não por acaso, o título da mostra sugere movimento e transformação. A proposta é discutir como os desafios surgem no percurso da vida e como atravessá-los faz parte da construção da própria identidade.
A exposição também apresenta a série “Cabeças”, desenvolvida desde 2014. Com cerca de 60 trabalhos inspirados em fotografias 3×4, a artista retrata diferentes fases de sua própria trajetória. Nesta edição, porém, a série ganha um novo elemento: espelhos inseridos entre as obras permitirão que o público veja sua própria imagem refletida, ampliando o debate sobre autorrepresentação, redes sociais e a fugacidade dos registros visuais na sociedade contemporânea.
Outro núcleo importante é formado pelas obras da série “Morfemas”, criadas durante o tratamento contra um câncer de mama. Utilizando os próprios fios de cabelo perdidos durante o processo, Fernanda transformou uma experiência pessoal em expressão artística, convertendo fragilidade em criação.
Ao reunir memória, identidade e transformação, a exposição reafirma o papel da arte como espaço de reflexão sobre o presente. Entre imagens que se desfazem e se reconstroem, Fernanda Leme oferece ao público uma travessia sensível que continua reverberando muito depois da visita.
Serviço: Fernanda Leme – Quando aparecer um rio, atravesse-o
Abertura: 5 de novembro de 2026, às 17h
Exposição: até 28 de novembro de 2026
Curadoria: Denise Araripe
Centro Cultural Candido Mendes – Galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida
Endereço: Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema – RJ
(21) 2267.7295
De segunda a sexta-feira, das 13h às 19h. Sábados, das 13h às 17h.
Entrada gratuita
Entre recortes, memórias e recomeços, Fernanda Leme transforma experiências de vida em arte que convida à reflexão. 🎭✨ #ArteContemporanea #CulturaRJ
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