São Paulo amplia programa de conservação da araucária e prevê R$ 835 mil para produtores rurais
Edital prevê até R$ 36 mil por participante em sete municípios.
São Paulo amplia programa de conservação da araucária e prevê R$ 835 mil para produtores rurais
Edital prevê até R$ 36 mil por participante em sete municípios.
A conservação de uma das árvores mais emblemáticas da Mata Atlântica ganha um novo capítulo em São Paulo. O governo estadual lançou a segunda edição do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais da Araucária (PSA Araucária), com orçamento superior a R$ 835 mil para incentivar agricultores familiares e pequenos produtores a preservar e recuperar o pinheiro-brasileiro, espécie ameaçada de extinção.
Coordenada pela Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a iniciativa prevê pagamentos de até R$ 36 mil por participante ao longo do contrato. Os recursos são provenientes do Fundo Estadual de Prevenção e Controle da Poluição (FECOP) e serão destinados a ações de conservação, restauração ecológica e práticas sustentáveis no campo.
A nova etapa amplia a área de atuação do programa para municípios estratégicos à proteção da espécie: Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, São Luiz do Paraitinga, Bom Sucesso de Itararé e Itararé. O edital contempla propriedades localizadas em zonas de amortecimento ou sobrepostas a áreas protegidas, incluindo parques estaduais e outras unidades de conservação.
Conservação que também gera renda
O PSA Araucária busca aproximar duas agendas essenciais: a proteção da biodiversidade e o fortalecimento econômico de quem vive da atividade rural. Na prática, os participantes recebem incentivos financeiros para conservar árvores existentes, plantar mudas, recuperar Áreas de Preservação Permanente (APPs) e implantar pomares de araucária.
As modalidades obrigatórias podem render até R$ 30 mil por produtor, distribuídos em cinco parcelas. Há ainda a possibilidade de receber R$ 6 mil adicionais por atividades complementares, como implantação de saneamento rural, adoção de boas práticas agropecuárias, plantio de espécies nativas e realização de ações de educação ambiental.
O programa também prevê capacitações anuais, registro dos plantios e comunicação oficial sobre a coleta de pinhão, produto importante para a economia de diversas comunidades rurais.
Uma espécie sob pressão
A expansão da iniciativa responde à situação crítica da Araucaria angustifolia. A exploração madeireira histórica e a expansão agropecuária reduziram drasticamente a Floresta Ombrófila Mista, formação vegetal característica da Mata Atlântica associada à presença da espécie.
Atualmente, a araucária enfrenta ameaças relacionadas à perda de habitat e às mudanças climáticas. Sua recuperação depende não apenas do plantio de novas árvores, mas também da conservação dos remanescentes florestais e da manutenção de condições adequadas para sua regeneração.
A primeira edição do PSA Araucária, realizada em Cunha, envolveu 50 famílias e duas organizações da sociedade civil. Entre os resultados previstos estavam a conservação e o plantio de mais de cinco mil araucárias, além de duas mil mudas de outras espécies nativas e iniciativas de saneamento rural.
Inscrições abertas até novembro
Os interessados têm até 30 de novembro de 2026 para apresentar a documentação exigida, incluindo identidade, Cadastro Ambiental Rural (CAR), comprovante de posse ou propriedade e formulário de manifestação de interesse.
A inscrição pode ser feita pelo e-mail proaraucaria@fflorestal.sp.gov.br ou presencialmente, mediante agendamento prévio, na sede da coordenação do programa, em Alto de Pinheiros, na capital paulista.
A seleção considera critérios como Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), tamanho da propriedade e participação de mulheres e jovens de 18 a 29 anos. O resultado preliminar está previsto para 14 de dezembro de 2026.
Ao remunerar quem protege a floresta, São Paulo aposta em uma estratégia que une conservação ambiental e desenvolvimento rural. O desafio agora será transformar o incentivo financeiro em resultados duradouros para a araucária e para as comunidades que dependem de um território ambientalmente equilibrado.
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