Entrevista com Paulo Barros

Foto : Josué Júnior/LinkeZine

Paulo Barros com certeza dispensa apresentação. Logo quando entrei no barracão da Portela, avistei o próprio trabalhando em um carro alegórico. Sincero e sem rodeios, ele respondeu a todas as perguntas dessa entrevista sem titubear. Nesse carnaval, ele vem com a sua Portela  pronto para ganhar o titulo, e inovar mais uma vez. Com vocês Paulo Barros!  

 

 

 

Por Josué Júnior

 

Paulo você nasceu e foi criado em Nilópolis, e por isso, sabe-se que houve um convívio com o Joãozinho 30. Isso te levou a ser carnavalesco?

Paulo Barros: Na verdade essa história do carnavalesco veio antes do João. Vem da minha infância porque nasci e fui criado em Nilópolis, então minha proximidade com a escola de samba sempre foi muito boa. E a paixão pelo carnaval vem de assistir pela televisão mesmo. Depois de uma certa idade, tive mais acesso ao barracão da Beija Flor, e por morar lá, tendo uma relação de família , cheguei mais perto, podendo estar ali dentro do barracão. Essa paixão é anterior ao João.

Mas o João é um ícone!

Paulo Barros: Sem dúvida! Trabalhei com ele, tive a oportunidade de estar lá na Beija Flor com ele ainda lá. Ele é e sempre será uma referência.

Você poderia dizer que ele foi seu mestre?

Paulo Barros: Eu tive vários mestres. E acho que me inspirei em todos e segui meu caminho.

 

Em 2003 para 2004 você foi a grande surpresa e revelação do carnaval carioca, dando à escola Unidos da Tijuca o vice- campeonato.  Foi criativo e ousado. Daquela época, para os dias de hoje, o que falta para os desfiles se tornarem ainda mais atrativos?

Paulo Barros: Daquela época pra cá, meu conceito de fazer carnaval não mudou, venho do grupo de acesso. Quando tive a oportunidade de estar na Unidos da Tijuca em 2004, sabia que tinha que fazer um carnaval diferenciado, até que se eu fizesse um carnaval pautado no mesmo formato dos outros, seria comparado aos outros. Então decidi mudar um pouco a estética. Na verdade essa estética não foi criada de uma hora para outra; foi criada dentro da  minha “faculdade” que foi o grupo de acesso. Este te dá oportunidade de você criar algo novo, por conta da falta de recursos. Ele  (o grupo de acesso) foi então meu alicerce para poder buscar caminhos e soluções. E mesmo estando hoje, no grupo especial eu ainda busco na minha bagagem, essas referências para tentar não fazer um carnaval que passa, pois o carnaval, que entendo hoje, é para não só ser visto, e sim para ser um espetáculo de entretenimento. Cada carro, cada alegoria, quero causar uma surpresa no público, para que todos se divirtam.

 

Você tem alguma mágoa da escola Unidos do  Viradouro, pela forma como saiu?

Paulo Barros: Mágoa não tenho. Eu fui chutado de lá, daquela forma, não culpando a escola por isso. Na verdade, quem me chutou foi a administração que estava na escola. Então digo que não guardo mágoa da escola, e sim de um momento em que uma administração assumiu uma responsabilidade comigo e não cumpriu. Não teria porque guardar rancor da escola, onde hoje, aquelas pessoas não estão mais.

Você ficou 5 anos na escola Unidos da Tijuca,  tempo suficiente para construir muitos laços e raízes. Acredito que lá você foi muito feliz. Você teria algum empecilho para voltar à Unidos da Tijuca?

Paulo Barros: Eu tenho um convívio tão bom com essa escola, que eu saio para almoçar, jantar com o presidente até hoje. A gente não tem só uma relação profissional. Tenho uma relação de amizade. Costumo brincar com isso dizendo o seguinte, meu nome está cravado naquelas paredes, queira ou não queira.

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Foto: Josué Júnior/ LinkeZine

Muitas pessoas te chamam de workaholic. O trabalho já te atrapalhou na sua vida particular? Caso sim, como você tenta dosar trabalho com vida particular?

Paulo Barros:  Por muitos anos atrapalhou sim, porque eu sou meio fissurado pelo trabalho, sou meio neurótico com as minhas coisas. Muitas das vezes eu excluía da minha vida particular, por uma dedicação exacerbada. Hoje não, me obrigo a ter uma agenda de chegada e de saída, dentro do possível, para que eu tenha uma qualidade de vida própria. Afinal de contas não tenho mais 20 anos, além de ter que aproveitar a vida também.

 

Sua saída da Mocidade foi levada por um conjunto de fatores. O fato do desfile, ter sido debaixo de chuva, e ter afetado em muito a escola, te levou a refletir melhor para a sua saída? Ou uma coisa não tem nada a ver com a outra? Você pode citar melhor esses fatos?

Paulo Barros: Não, a minha decisão de sair da Mocidade foi administrativa mesmo. O que estava sendo feito dentro da escola administrativamente, eu não concordava. O combinado não sai caro. Se estou em uma escola, e é prometido algo, e isso não é cumprido, então não vou trabalhar em vão. Meu projeto vai se acabar no final, vai ser fadado a um possível desastre. Então vou dizer que saí sem me deverem nada, cumpriu todo o meu contrato, agora a questão da realização do projeto deixou a desejar sim.

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Foto: Josué Júnior/ LinkeZine

E se você tivesse mais um ano por lá, iria realizar seu projeto?

Paulo Barros: Não sei! Como foi uma questão administrativa, como te falei, não sei. O sucesso de uma escola hoje, depende de uma administração.

 

Você tem como mensurar o carnaval da Portela para o Carnaval  de 2017?

Paulo Barros: Em que sentido?

Sentido de fantasias, alegorias…

Paulo Barros: Sim, a Portela vai preparada para disputar um título. Não tenho dúvidas disso! Agora isso não depende só do conjunto alegórico, nem de fantasias. Vai depender da pontuação de cada setor da escola, todos trabalhando para isso. Hoje se fala muito na Portela em sonhar com o título; mas falei para pararem de sonhar. Sonho é sonho, o que falo para o Portelense hoje, que está muito acreditando nisso, parem de sonhar e vamos trabalhar! Essa é a mensagem que passo para todos, todo dia. Tenho a certeza que estão fazendo isso.

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Foto: Josué Júnior/ LinkeZine

O que podemos esperar do Paulo Barros depois do carnaval?

Paulo Barros: Provavelmente férias! A batida do carnaval é muito pesada, então a mente  começa a querer trabalhar sozinha!

E vamos ver você na Portela em 2018?

Paulo Barros: Aí você vai ter que ver a 4ª. Feira de Cinzas! (risos)

 

Sobre Josué Júnior (143 artigos)
Josué Júnior, carioca, fotógrafo profissional pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Há mais de dez anos no mercado fotográfico com ênfase em moda e publicidade. Atualmente fotografa para o site Versão Masculina, especializado em comércio de produtos masculinos. Em sua empresa Arte foto Designer, desenvolve seu trabalho autoral, que pode ser apreciado na sua pagina : www.facebook.com/fotosjosuejunior?ref=bookmarks ,ou em seu Instagran .https://www.instagram.com/josuelbjr/

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