Cem dias de isolamento social

Cem dias de isolamento social

O Brasil já chegou a mais de cem dias de isolamento social e mais de 30 dias sem um ministro técnico à frente do Ministério da Saúde. O que temos é um militar que, digamos, entende de administração.

Foram cem dias que valeu por um ano. Se dividíssemos esse período em capítulos, o primeiro seria a demissão do ex-ministro Mandetta, que vinha trabalhando com afinco na tentativa de manter o isolamento social e a pandemia numa curva abaixo do colapso. Sua equipe tinha uma relação de respeito com a imprensa e a ciência. Ambos os partidos não tinham o que reclamar, pelo contrário, estava colecionando elogios por sua atuação na área da saúde brasileira. Infelizmente, o presidente não pensava assim, exigia um contato mais restrito entre o ex-ministro e a imprensa, assim como a flexibilização do isolamento, com o objetivo de não prejudicar a economia do país.

Essas divergências foram o estopim para gerar uma tensão entre os dois, levando a uma ruptura e deixando o Ministério da Saúde, sem ministro.

Com a saída do Mandetta e chegada de Nelson Teich, uma nova expectativa foi gerada. O novo ministro apaziguaria o Planalto, ledo engano. Bolsonaro geraria outros pólos de tensão pelo país e nomearia novos inimigos, dentre eles os Governadores dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, e os poderes Legislativo e Judiciário. Além disso, incentivou apoiadores através de redes sociais a militar pelas ruas a seu favor, desprezando normas de afastamento social em plena pandemia.  

Já estávamos em isolamento social quando as mortes subiram e a Covid19 começou a mostrar sua cara. Os brasileiros não tiveram um minuto de paz!

Além de tudo que foi relatado destes cem dias, o Brasil assistiu às imagens de uma reunião ministerial gravada que até hoje dá o que falar. Reunião que serviu como prova para dois inquéritos: a acusação do ex-ministro Sérgio Moro, contra o Presidente e sua possível intervenção na Polícia Federal, e as ameaças feitas pelo Ministro da Educação ao STF; e sem mencionar as falas dos outros ministros, que deixaram aterrorizados muitos brasileiros.

Não demorou muito para Nelson Teich perceber que havia embarcado em uma canoa furada, quando pressionado a prescrever Cloroquina como remédio para o tratamento inicial da Covid, o ex-ministro pede seu afastamento do cargo. Esclarecendo que na época a OMS não indicava a Cloroquina como método terapêutico para pacientes iniciais de Covid e até hoje continua sendo reavaliada a sua eficácia. Nelson deixou o governo após 28 dias de ter assumido o cargo. Cem dias e o ano já poderia ter acabado.

A pandemia continua com números alarmantes e o Brasil segue na contramão desses números. Foram iniciados os planos de flexibilização em muitas capitais, com grande possibilidade de retrocesso e de aumento nos números de mortes. O brasileiro precisa seguir com coragem para atravessar esse momento difícil. #vaipassar                                

Sobre Josué Júnior (371 artigos)
Josué Júnior, carioca, pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Atua no mercado com sua empresa Arte Foto Designer, é proprietário do site de conteúdo Linkezine , @linkezine . Dentro do site abaixo é possivel ver um pouco da atuação da Arte Foto Designer no mercado : https://www.omnistore.net.br/

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