Dez meses para chacoalhar o Brasil

Alckmin saiu do PSDB onde fora fundador, para seguir ao PSB de Marcio França e se tornar vice de Lula nas próximas eleições. O sentimento dos tucanos é de que Alckmin traiu o partido, mesmo que não externado, esse é o sentimento que ficou. Por outro lado, Alckmin se sentiu traído por Doria. São tantas traições que Alckmin preferiu ir à luta sem olhar para seu passado político…..

Fernando Mitre, jornalista conceituado do grupo Bandeirantes, alertou em seu comentário dessa semana que faltam 10 meses para o pleito brasileiro. Ao falar em 10 meses, minha mente imediatamente lembra, que na verdade, os meses de dezembro e janeiro são dedicados às festas de fim de ano e aos preparativos do Carnaval e que, nessa toada, a corrida eleitoral inicia apenas depois dessas festividades. São praticamente três meses retirados da grade política. Seguindo essa lógica, teríamos apenas sete meses para as eleições. Fernando Mitre, ao concluir seu comentário, ressaltou que as nuvens da política podem modificar o momento. Para refletir, temos o título da imagem, vejamos: “Lula vence no primeiro turno e Bolsonaro volta para o seu condomínio na Barra da Tijuca, o Datafolha crava que Bolsonaro está com 18% do seu eleitorado”. A imagem é um claro sinal do derretimento do núcleo duro de eleitores do Bolsonaro e para muitos cientistas políticos é possível afirmar que 2018 não irá se repetir. Os eleitores já fizeram esse aceno em 2020, nas eleições municipais, mostrando a mudança de postura na hora da escolha de seu candidato. Ainda pensando nas nuvens da política, Lula e Alckmin estão muito próximo de fechar uma parceria inédita, que está mexendo com as fundações do PT.

É preciso abrir um grande parêntese para explicar como essa parceria está descendo quadrado, na garganta dos Petistas. Em 2002 veio a primeira grande vitória do PT que havia perdido todas as eleições, desde de 1989. Na ocasião, Fernando Collor de Mello utilizou-se de um artificio nada convencional, para garantir as eleições presidenciais. Apresentou uma filha que o então candidato Luís Inácio Lula da Silva tivera fora do casamento, a história foi bastante constrangedora. Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha de Miriam que apareceu na campanha do então candidato Fernando Collor de Mello afirmando que Lula tinha oferecido dinheiro para que ela fizesse um aborto. Graças à essa história macabra, Collor vence as eleições presidenciais e, em seguida, com o auxílio da Ministra Zélia Cardoso de Mello, confisca a poupança dos brasileiros. Collor foi o primeiro presidente da nova república, após o golpe militar, ver seu mandato acabar em um impeachment.  A segunda e a terceira derrotas do PT na presidência foi com o Fernando Henrique. Foram duas derrotas históricas que o PSDB empurrou goela abaixo do PT. Já no final do segundo governo, Fernando Henrique lutava contra muitos problemas, o PSDB vai ao pleito acreditando na popularidade de José Serra o ex-ministro da Saúde, que era na verdade economista. Serra foi longe, chegou ao segundo turno com chances de vitória. Serra tornou-se candidato à presidência duas vezes (2002 e 2010) perdendo todas as vezes. A segunda derrota foi contra Dilma, que fez outra vítima, Aécio Neves. Percebe-se que o PT fez uma hegemonia sobre o PSDB. Essa hegemonia é quebrada em 2018 quando Fernando Haddad do PT perde para Bolsonaro. A história PT versus PSDB vem de longa data e na campanha presidencial de Dilma contra Aécio Neves em 2014, a temperatura subiu em fogo muito alto, a ponto de em 2015, no primeiro dia de trabalho depois do recesso, Aécio Neves apresentar essa declaração:  

A guerra foi declarada e até hoje essa guerra permanece na figura de João Doria, por essas e outras razões é que Alckmin saiu do PSDB onde fora fundador, para seguir ao PSB de Marcio França e se tornar vice de Lula nas próximas eleições. O sentimento dos tucanos é de que Alckmin traiu o partido, mesmo que não externado, esse é o sentimento que ficou. Por outro lado, Alckmin se sentiu traído por Doria. São tantas traições que Alckmin preferiu ir à luta sem olhar para seu passado político. Tudo indica que sua filiação deve ser concretizada em um encontro anual das prerrogativas que acontecerá neste domingo (19), no restaurante “A Figueira Rubayat”, onde não há mais lugar disponível. Foram mais de 500 convites vendidos no valor de R$ 500. O encontro contará com a participação de jornalistas, ambiente perfeito para o lançamento da chapa Lula e Alckmin, acabando assim com o mistério e abrindo espaço para as costuras políticas e assim, as nuvens da política de Fernando Mitre começa a ganhar seus contornos.  

Sobre Josué Júnior (636 artigos)
Josué Júnior, carioca, pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Atua no mercado com sua empresa Arte Foto Design é proprietário do site de conteúdo Linkezine. Registro Profissional: MTb : 0041561/RJ

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