Saúde Mental

“É uma situação urgente que precisa de ações a curto prazo, como a contratação de mais médicos e a ampliação de leitos de saúde mental na cidade. Essa audiência é um passo inicial muito importante para definirmos as ações de políticas públicas a serem propostas nessa área”. 

No dia 15 de fevereiro de 2022, a cidade de Petrópolis foi terrivelmente atingida por uma forte chuva gerando uma tragédia no município, muitas mortes e muitas lembranças foram levadas pela força da chuva, até a data de hoje existem pessoas desaparecidas, existem famílias em luto. A vereadora Gilda Beatriz, do PSD, presidiu no dia 11/04/22 uma audiência pública para tratar de um assunto de extrema relevância para os Petropolitanos: Como está a saúde mental dos cidadãos que habitam a cidade Imperial? Muitos especialistas da área tiveram a oportunidade de trocar informações e com os seus pares, apresentando a situação em que cada área está vivenciando nesse momento. Dentro dos relatos destaquei a fala do psiquiatra Guilherme Toledo, coordenador do Cremerj, ele atua na linha de frente da psiquiatria do Hospital Nelson de Sá Earp, os problemas enfrentados com as duas tragédias que assolaram o município de Petrópolis não podem ser dissociados da gravidade dos casos que já vinham sendo enfrentados durante à pandemia.

“O que tivemos foi um agravamento da situação que já não vinha bem no atendimento emergencial da psiquiatria. Tivemos uma avalanche de casos, atingindo inclusive os profissionais da saúde e outros que atuaram nas frentes de trabalho, como a síndrome de burnout (que é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema enfrentado pelos profissionais), além de casos de depressão, ansiedade, sintomas de estresse pós-traumático e surtos psicóticos enfrentados pelas vítimas”, explicou Toledo.

Segundo ele, já havia uma crise horizontal da pandemia que, somados aos casos da tragédia gerou uma crise vertical na saúde mental.

“É uma situação urgente que precisa de ações a curto prazo, como a contratação de mais médicos e a ampliação de leitos de saúde mental na cidade. Essa audiência é um passo inicial muito importante para definirmos as ações de políticas públicas a serem propostas nessa área”. 

Nessa fala é possível perceber o quanto os problemas são graves, além dos pacientes, os próprios profissionais da área de saúde relatam distúrbios emocionais, tem também a falta de investimento em que a saúde vive, no município de Petrópolis.

Essa tragédia também trouxe parcerias como o da Terapia Floral. Os terapeutas Florais se despuseram a ajudar de forma voluntária e corajosa, a cuidar das pessoas que precisarem de um apoio emocional. A Terapeuta Floral Vera Gondim, coordenadora do SOS FLORAIS PETRÓPOLIS, foi convidada pelo Coordenador de Saúde Mental do município, Oswaldo A. Filho, a reorganizar e coordenar um trabalho voluntário de assistência emocional com florais às vítimas da enchente, a exemplo do que foi feito em 2011 no Vale do Cuiabá, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde. O SOS FLORAIS PETRÓPOLIS foi criado por uma iniciativa da RIOFLOR (Associação de Terapeutas Florais do Rio de Janeiro), presidida por Célia Gouvêa; elas realizaram um total de 1.895 atendimentos voluntários.

Vera Gondim fez essa contribuição para o Linkezine:

“Nesse trabalho que estamos realizando em Petrópolis com a Terapia Floral, estamos encontrando pessoas muito abaladas emocionalmente com os acontecimentos que vivenciaram, algumas ainda em estado de choque, outras apresentando sinais de estresse pós-traumático e outras vivendo um luto muito sofrido pela perda de seus entes queridos. É motivo de muita alegria para os terapeutas florais poderem perceber a rápida e significativa mudança que as pessoas passam a apresentar após começarem a utilizar os florais.

Tem sido muito grande a procura pelo nosso trabalho, não só pelos profissionais de saúde, já bastante desgastados, como também   por funcionários de outros setores da Prefeitura, da Guarda Municipal, da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, quando ainda atuando. Até a data de hoje, foram realizados, 1.895, atendimentos.”

É de suma importância que exista dentro do nosso sistema de saúde um espaço para tratar pacientes com distúrbios emocionais. Muitos ainda não sabem, que dentro do SUS, a Terapia Floral já é usada em ambulatório, é mais uma arma para ajudar na saúde mental. A Vereadora Gilda Beatriz é psicóloga e sabe muito bem como é necessário se ter uma boa saúde mental, essa é uma das pautas em que ela labuta e como diz o ditado: “uma andorinha só não faz verão”. É preciso mais andorinhas para mudar esse cenário. Petrópolis vive um pós-tragédia das chuvas de fevereiro, deixando muitos traumas a serem cuidados, traumas que talvez o tempo poderá curar, mas mesmo assim é preciso acreditar em um novo amanhecer para que as feridas cicatrizem.                 

Sobre Josué Júnior (642 artigos)
Josué Júnior, carioca, pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Atua no mercado com sua empresa Arte Foto Design é proprietário do site de conteúdo Linkezine. Registro Profissional: MTb : 0041561/RJ

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