Bolsonaro, PL, Valdemar e o golpe
A operação Tempus Veritatis está revelando, aos poucos, nuncias desconhecidas de uma trama política brasileira que para muitos especialistas começou a ser construída na transição do governo de Michel Temer, em 2018.
No momento dessa transição, Gustavo Bebiano, um entusiasta da campanha bolsonarista, começava a questionar a falta de espaço que vinha recebendo no governo Bolsonaro, isso já na sua largada. Entre uma reunião e outra, dizia ao presidente eleito que seus filhos não poderiam ter a mesma relevância de opinião exercida na campanha presidencial e que, o governo brasileiro, precisava de pessoas com rodagem para exercer cargos de confianças.
Não demorou muito e Bebiano foi excluído das reuniões do governo e passou a incomodar com suas entrevistas. Entre uma conversa e outra com os jornalistas surgiram denúncias sobre o gabinete do ódio. Esse gabinete ideológico começou a tomar conta de decisões que eram pertinentes a área política e não a área ideológica.
Nessa época, Bolsonaro estava no PSL e usava o número 22 na sua legenda. Na gíria popular 22 é maluco. Será que o povo brasileiro votou em um maluco? Brincadeiras à parte, o resultado estamos vendo agora: um vídeo que revela uma suposta minuta de golpe. O vídeo foi divulgado após a quebra de sigilo dessa reunião gravada, solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes. Nas imagens, fica evidente a fala de Bolsonaro e de outras autoridades coadunando com o mesmo ideal contra a democracia.
A ideia de Bolsonaro sempre foi fixa. Ele sempre subia ao palanque e bradava impropérios contra o STF, o Congresso e a Esquerda. Segundo ele, a Esquerda deveria ser exterminada da face da Terra. De tanto insuflar seu eleitorado contra a Esquerda, crimes políticos aconteceram, pessoas sofreram e praticaram agressão umas às outras por apenas não compartilharem da mesma opinião.
No vídeo apresentado ficou entendido que Bolsonaro solicitou a adesão total às suas ideias, sugerindo inclusive que a mensagem fosse repetida várias vezes por todos que fossem ao seu ciclo. Ao examinar as imagens, chegamos à conclusão que a razão para Bolsonaro repetir, todos os dias, suas ideias mirabolantes era que estas fossem disseminadas através de uma avalanche de mensagens, nas mídias sociais. Na verdade, eram seus eleitores úteis que sem entender ou saber ao certo qual era seu intento, reproduziam a notícia.
Nessa época, o gabinete do ódio mandava a mensagem e Bolsonaro só replicava. Esse gabinete foi identificado pelos seguintes participantes: Carlos Bolsonaro, Tércio Arnaud Tomaz, José Mateus Sales Gomes, Mateus Matos Diniz, Leonardo Augusto Matedi Amorim, Filipe Martins, Leonardo Rodrigues de Jesus, Célio Faria Júnior e Marcelo Câmara. Nessa lista existem dois presos na operação Tempus Veritatis: Filipe Martins e Marcelo Câmara.
Lembra quando informei que Bolsonaro usava o número 22 no PSL? Com sua saída do PSL e a decisão de ficar sem partido durante um tempo, Bolsonaro começa a perder forças no campo político. O PL de Valdemar da Costa Neto entra na vida do ex-presidente para preencher essa lacuna e fortalecer sua estrutura política e é, nesse momento, que Valdemar abre as portas do PL.
A Polícia Federal vem realizando várias operações e todas elas desaguam em uma só intensão: o golpe de 8 de janeiro. A operação Tempus Veritatis encontrou no gabinete de Bolsonaro uma suposta minuta de um golpe. O despacho do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), destaca trechos da investigação da PF que indicam que estruturas e recursos financeiros do PL foram utilizados para a discussão do plano golpista. Como consequência, o senador Humberto Costa (PT-PE) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que a legenda fosse investigada e seu registro fosse cassado por envolvimento com atividade criminosa.
No momento, Valdemar está preso devido a posse de uma arma de fogo com registro vencido. A semana será tensa e deverá ter outros reflexos ou outras prisões. Estaremos em alerta para realizar as apurações desse caso.

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