Indígena é morto em confronto com a Polícia Militar em Antônio João, MS
Na última quarta-feira (18), um indígena da etnia Guarani Kaiowá, Neri Ramos da Silva, de 23 anos, foi morto a tiros em um confronto com a Polícia Militar no Território Nhanderu Marangatu, no município de Antônio João, Mato Grosso do Sul. A morte foi confirmada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em Iguatemi (MS). Este é o segundo confronto entre indígenas e policiais em menos de uma semana na região, que está localizada na fronteira com o Paraguai.
O Conflito na Fazenda Barra
De acordo com a Grande Assembleia Guarani-Kaiowá (Aty Guasu), organização que representa os indígenas Guarani e Kaiowá, o confronto ocorreu quando uma tropa de choque da Polícia Militar atacou uma “área de retomada” dentro da Fazenda Barra, local em disputa entre indígenas e fazendeiros. Segundo a Aty Guasu, a ação policial foi considerada um ataque e resultou na morte de Neri.
Por outro lado, a versão oficial da Polícia Militar afirma que os agentes foram atacados por um grupo de cerca de 20 indígenas que tentavam ocupar a sede da propriedade. O tenente-coronel Edson Guardiano, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar, afirmou que os policiais agiram em legítima defesa durante a operação, que tinha como objetivo impedir a invasão da fazenda.
Funai e Reação ao Incidente
A Funai divulgou uma nota expressando pesar e indignação com a morte do indígena, classificando o evento como um “brutal assassinato”. A Fundação informou que acionou a Procuradoria Federal Especializada (PFE) para tomar as medidas legais cabíveis e está comprometida em garantir a proteção dos povos indígenas da região. Além disso, a Funai tem monitorado a situação por meio de sua Coordenação Regional em Ponta Porã e está em diálogo com o governo local para tratar da atuação policial no local.
Na terça-feira (17), um dia antes do confronto, a Funai participou de uma reunião com diversas instituições, como a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, para discutir ações de proteção para os indígenas. Entre as medidas solicitadas, está a presença da Força Nacional na área.
Disputa Territorial e Interesses Criminosos
A região onde ocorreu o confronto é marcada por disputas de terra entre fazendeiros e comunidades indígenas. Segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp), o conflito tem se intensificado nos últimos dias. Além das disputas territoriais, as autoridades também apontam o envolvimento de facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas, com plantações de maconha nas proximidades, especialmente na área de fronteira com o Paraguai.
O governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, reuniu-se com representantes da Segurança Pública para discutir o caso. O secretário estadual de Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, explicou que os policiais militares estavam cumprindo uma ordem judicial para manter a segurança e permitir o trânsito livre na região da fazenda.
Investigação em Curso
Equipes de perícia foram enviadas ao local para identificar a vítima e apurar as circunstâncias do confronto. Segundo a polícia, foram apreendidas armas de fogo com o grupo de indígenas, e esse material será utilizado na elaboração de um relatório que será entregue às autoridades em Brasília.
O caso reflete a complexa situação de disputas fundiárias na região, somada a questões de segurança pública e a presença de atividades criminosas na fronteira Brasil-Paraguai. A Funai e organizações indígenas seguem exigindo ações imediatas para evitar que novos episódios de violência ocorram no Território Nhanderu Marangatu.
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