Pablo Marçal afirma não se arrepender de divulgar documento falso contra Guilherme Boulos
O candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PRTB, Pablo Marçal, afirmou neste sábado (5) que não se arrepende de ter divulgado um falso laudo em suas redes sociais, que acusava o seu adversário Guilherme Boulos (PSOL) de uso de drogas. A publicação, feita na noite de sexta-feira (4), continha informações falsas, erros de ortografia e a assinatura de um médico já falecido. “Eu recebi e publiquei”, disse Marçal durante um evento de campanha. Ele não esclareceu como obteve o documento ou sua origem.
A divulgação do laudo falso gerou a abertura de investigações pela Polícia Federal e Polícia Civil. A Justiça já reconheceu a falsidade do conteúdo e ordenou sua remoção das plataformas de redes sociais. Advogados de Boulos ingressaram com ações na Justiça criminal e eleitoral, pedindo a prisão de Marçal e a cassação de sua candidatura.
Laudo médico e falsificação
O laudo compartilhado por Marçal incluía o nome de José Roberto de Souza, um médico falecido em 2022. Segundo Aline Souza, filha do médico, seu pai nunca trabalhou na clínica mencionada no laudo e sua assinatura foi falsificada. Ela declarou que seu pai atuava em Campinas e estava debilitado nos últimos anos de vida devido a uma doença rara, o que impossibilitava qualquer tipo de trabalho em São Paulo. A família está chocada com o uso indevido do nome de José Roberto e avalia a possibilidade de processar o candidato do PRTB.
O dono da clínica “Mais Consultas”, mencionada no laudo, é amigo de Pablo Marçal e já foi condenado por falsificação de documentos. Luiz Teixeira da Silva Junior foi sentenciado em 2021 por uso de documento falso e falsificação de documentos públicos. Ele também teve suas redes sociais trancadas após a repercussão do caso.
Reações e acusações mútuas
Enquanto Marçal insiste que sua única ação foi publicar o documento que recebeu, a campanha de Guilherme Boulos repudiou a atitude. Em nota, a equipe de Boulos afirmou que a ação de Marçal é criminosa e que ele responderá judicialmente em todas as esferas. A campanha destacou que o uso de documentos falsos para atacar adversários compromete o processo democrático e que tal comportamento não pode ser normalizado.
Marçal, por sua vez, disse que não tem ligação com o laudo e que qualquer dúvida sobre o documento deve ser esclarecida com seu advogado, Tassio Renan. Ele também se defendeu dizendo que o documento foi rapidamente removido pelo Meta, empresa responsável por plataformas como Instagram e Facebook.
Histórico de problemas com redes sociais
Essa não é a primeira vez que Marçal enfrenta problemas relacionados às suas atividades online. Em agosto deste ano, a Justiça Eleitoral determinou a suspensão temporária de seus perfis nas redes sociais, que estavam sendo utilizados para monetização. Após a suspensão, Marçal criou contas alternativas em diversas plataformas, como Instagram, TikTok, YouTube e Telegram.
Na noite de sexta-feira (4), a publicação do laudo falso já havia sido removida das plataformas. No entanto, uma live no YouTube em que o documento foi apresentado ainda estava disponível na manhã de sábado.
Impacto na campanha
O episódio coloca a candidatura de Pablo Marçal em uma situação delicada, com a possibilidade de cassação e outras penalidades jurídicas. Enquanto isso, a equipe de Guilherme Boulos mantém o foco nas consequências legais para o candidato do PRTB, reforçando a gravidade das acusações e a necessidade de uma resposta judicial firme.
Esse incidente também levanta discussões sobre a integridade do processo eleitoral e a disseminação de informações falsas durante campanhas políticas.

Boa matéria 👍