Delegado Rivaldo Barbosa, réu pela morte de Marielle Franco, é transferido para presídio em Mossoró
Nesta terça-feira (16), o delegado Rivaldo Barbosa, acusado de ser o mentor do assassinato de Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, foi transferido para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Preso desde março de 2024, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro é apontado como o responsável por orquestrar o crime, supostamente a mando dos irmãos Brazão.
Transferência inesperada e reação da defesa
A transferência de Rivaldo Barbosa pegou sua defesa de surpresa. Segundo seus advogados, não houve aviso prévio, e a justificativa apresentada pelas autoridades foi de que a mudança ocorreu por motivos administrativos. A defesa expressou preocupação com o impacto no andamento do processo, afirmando que a movimentação pode prejudicar a preparação do caso, especialmente com a audiência de instrução em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), que inclui o depoimento de testemunhas de defesa.
Em nota, a defesa destacou o impacto da transferência, afirmando que o escritório, sediado em Brasília, vinha mantendo contato direto com o delegado durante a produção de provas. Eles também ressaltam que a movimentação ocorre às vésperas do interrogatório dos réus, o que prejudica o direito à ampla defesa.
O papel de Rivaldo no crime, segundo a Polícia Federal
A Polícia Federal (PF) avançou nas investigações do caso após a delação de Ronnie Lessa, ex-PM acusado de ser o executor do assassinato de Marielle. De acordo com a PF, Rivaldo Barbosa tinha uma relação prévia com os mandantes do crime, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, antes mesmo do planejamento do homicídio.
Segundo a ordem de prisão, Rivaldo Barbosa, embora não tenha idealizado o crime, foi quem controlou sua execução, impondo condições para o assassinato. Uma dessas exigências foi que Marielle não fosse morta em um momento que envolvesse sua entrada ou saída da Câmara, para evitar o envolvimento de órgãos federais nas investigações. Além disso, durante o período em que comandou a Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo teria tentado desviar as investigações dos verdadeiros mandantes.
A investigação e a prisão dos irmãos Brazão
Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes do crime, também estão em prisão preventiva. Chiquinho está detido em uma penitenciária de segurança máxima em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, enquanto Domingos está preso no presídio federal de Porto Velho, Rondônia.
Próximos passos no julgamento
O processo continua no STF, e nesta quinta-feira (17) está prevista a continuidade da audiência de instrução, com oitiva de testemunhas. Rivaldo Barbosa nega envolvimento no assassinato e qualquer ligação com os irmãos Brazão. Sua defesa sustenta que a acusação é fantasiosa e que provas apresentadas até o momento desmentem as alegações feitas contra ele.
A transferência para Mossoró adiciona mais um capítulo às complexidades do caso, que continua a atrair grande atenção pública devido à importância do crime e suas repercussões políticas e sociais.

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