Volta do estrangeiro e Trump ‘ameno’: o que explica o dólar abaixo de R$ 5,80
Volta do estrangeiro e Trump ‘ameno’: o que explica o dólar abaixo de R$ 5,80
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Após uma sequência de 12 sessões consecutivas de queda, o dólar encerrou sua tendência de desvalorização na quarta-feira, mas sem causar grandes preocupações. A moeda americana subiu apenas 0,37%, fechando a R$ 5,7935. Desde 17 de janeiro, o dólar vinha acumulando uma queda de 4,87% frente ao real.
Fluxo estrangeiro impulsiona queda do dólar
O principal fator por trás dessa tendência foi o retorno dos investidores estrangeiros à Bolsa de Valores brasileira (B3). Segundo dados da B3, o capital estrangeiro teve um saldo positivo de R$ 6,82 bilhões em janeiro, marcando o melhor mês desde agosto de 2024, quando o volume líquido atingiu R$ 10,01 bilhões. Esse movimento tem contribuído para a valorização do Ibovespa, que registra alta de 4,50%, alcançando 125.534 pontos.
Apesar desse saldo positivo, Einar Ribeiro, diretor da consultoria Elos Ayta, ressalta que o volume total de compras por estrangeiros foi de R$ 289,21 bilhões, o menor desde outubro de 2024. O volume de vendas, por sua vez, ficou em R$ 282,38 bilhões, o mais baixo desde setembro do ano passado. Para Ribeiro, essa dinâmica indica uma menor movimentação no mercado, mas ainda favorável ao ingresso de capital estrangeiro.
“O saldo positivo em janeiro reforça a importância da atratividade da bolsa brasileira diante do cenário macroeconômico, mas o menor volume negociado sugere que os investidores ainda monitoram fatores internos e externos antes de ampliar sua exposição ao mercado local”, explica Ribeiro.
Cenário global e política dos EUA influenciam câmbio
O movimento de desvalorização do dólar não se restringiu ao real. A moeda americana enfraqueceu globalmente, influenciada pela percepção de que a nova administração de Donald Trump não implementará medidas econômicas tão radicais quanto se temia inicialmente.
A recente imposição de tarifas comerciais pelos EUA contra México, Canadá e China gerou uma preocupação momentânea, mas sua suspensão rápida sugeriu ao mercado que essas medidas fazem parte de uma estratégia de negociação, sem intenção de aplicação definitiva. Como resultado, o dólar manteve sua tendência de queda.
“Essa guerra comercial acabou dando um fôlego para os países emergentes, que tiveram suas moedas ganhando um pouco de espaço”, destacou Lucélia Freitas Aguiar, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.
Mercado de trabalho dos EUA e impacto no câmbio
Outro fator determinante para a recente desvalorização do dólar foi a divulgação dos dados do relatório Jolts, que revelou uma queda de 556.000 vagas de emprego em aberto nos EUA, totalizando 7,6 milhões no fim de dezembro. Esses números sugerem um desaquecimento do mercado de trabalho americano, o que é positivo para o controle da inflação. Com isso, os rendimentos dos Treasuries perderam força, impactando negativamente o dólar em relação a diversas moedas.
Dólar hoje: tendência de queda continua?
Nesta quarta-feira, o dólar chegou a esboçar uma nova queda no início do dia, mas reverteu para uma leve alta devido à realização de lucros por investidores e recomposição de posições compradas na moeda americana.
Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, afirmou que não houve um fator concreto para justificar a alta do dólar ante o real, sendo apenas uma “correção depois de 12 dias de recuo”. “Não que este seja um sinal de reversão de tendência. Acho que a tendência deve continuar… (sendo) de queda”, acrescentou o especialista.
Com esse cenário de fluxo estrangeiro positivo na B3, desaquecimento do mercado de trabalho nos EUA e uma postura menos agressiva do governo Trump, o dólar segue com perspectivas de estabilidade ou queda no curto prazo. Entretanto, fatores internos e externos continuarão sendo monitorados pelos investidores antes de maiores mudanças no mercado cambial.
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