Paulo Barros Critica Enredos Afro no Carnaval e Gera Polêmica: ‘Não Gosto, Tenho Direito’
Paulo Barros Critica Enredos Afro no Carnaval e Gera Polêmica: ‘Não Gosto, Tenho Direito’
Carnavalesco da Vila Isabel Reforça Posição Contrária ao Tema Predominante do Carnaval 2025
Em um ano em que a maioria das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro apostam em enredos com referências às religiões de matriz africana, o carnavalesco Paulo Barros reacendeu uma polêmica ao reforçar sua postura contrária à abordagem temática. Em suas redes sociais, ele declarou: “Eu tenho o direito de pensar dessa forma. O direito é meu. As pessoas falam: ‘nós estamos numa democracia’. Esse é o meu pensamento, sinto muito.”
A declaração veio após uma entrevista à Folha de S. Paulo, na qual Barros afirmou que os desfiles com temática africana “são todos iguais e ninguém entende nada”. A fala repercutiu negativamente entre sambistas e fãs do carnaval, especialmente porque a Vila Isabel, escola comandada por Barros, conquistou seu maior título em 1988 com Kizomba, enredo que exaltava o centenário da Abolição da Escravatura.
As declarações do carnavalesco provocaram indignação entre sambistas. A internauta Marlucia Moraes, por exemplo, criticou a postura de Barros: “Tem todo direito de não gostar, mas como carnavalesco da Vila Isabel acho que está na escola errada. Os maiores enredos da Vila foram sobre essa temática… Viva Kizomba!”
Diante da repercussão, Barros usou suas redes sociais para esclarecer sua visão e reforçar sua liberdade de escolha artística: “Tem gente que fala que desfile de escola de samba obrigatoriamente tem que ter uma temática africana porque o samba veio da África. Qualquer imbecil sabe disso.”
Ele destacou que, ao longo das décadas, o carnaval abordou diferentes tipos de enredos e que não se deve limitar o tema à cultura africana: “Já tivemos épocas onde só se falava de política, de cidades, de enredos imaginários como Ziriguidum 2001 e Tupinicópolis. O carnaval nos dá essa liberdade.”
O carnavalesco também garantiu que respeita todas as religiões: “Tenho o maior respeito por todas as religiões. Tenho um babalorixá maravilhoso, tenho minha mãe de santo. Vou à igreja, vou a templos. Eu respeito todas as religiões.”
Escolas Que Não Terão Enredo Afro em 2025
A fala de Barros gera ainda mais controvérsia porque coloca a Vila Isabel em um grupo seleto: apenas três das 12 escolas do Grupo Especial não abordarão a temática afro em seus desfiles. São elas:
- Vila Isabel: trará o enredo “Quanto Mais Eu Rezo, Mais Assombração Aparece”, um desfile inspirado em um passeio de trem fantasma explorando terrores do folclore brasileiro.
- Mocidade Independente: apresentará “Voltando para o Futuro – Não Há Limites pra Sonhar”, um enredo futurista sobre tecnologia e a relação entre o homem e a máquina.
- Portela: fará uma homenagem a Milton Nascimento e sua contribuição para a cultura brasileira.
As demais nove escolas do grupo apresentarão enredos ligados à cultura e religiosidade africana.
Representatividade e Emoção na Avenida
Para o cantor e produtor cultural Pretinho da Serrinha, que comentará o carnaval pela TV Globo, a escolha da maioria das escolas por exaltar a cultura africana é um reconhecimento histórico: “Para mim, um cara preto, criado no morro, isso tem um ponto diferente. Estou muito ansioso pra ver isso tudo. É um reconhecimento por tudo que veio dos nossos ancestrais, dos nossos antepassados. É uma grande emoção ver isso acontecer.”
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