Pesquisa sobre doença de Chagas é retomada após liberação de recursos dos EUA
Pesquisa sobre doença de Chagas é retomada após liberação de recursos dos EUA
Um importante projeto de pesquisa brasileiro sobre a doença de Chagas foi retomado após a liberação de recursos que estavam bloqueados por decisão do governo dos Estados Unidos. O projeto SaMI-Trop, liderado pela professora Ester Sabino, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), havia sido suspenso devido ao congelamento de pagamentos por parte dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), uma das maiores referências mundiais em pesquisas biomédicas.
Bloqueio e retomada da pesquisa
O SaMI-Trop faz parte de um programa do NIH dedicado ao estudo de doenças tropicais negligenciadas e busca desenvolver novas tecnologias para diagnóstico e tratamento da doença de Chagas. A enfermidade, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, afeta cerca de 7 milhões de pessoas no mundo, a maioria na América Latina.
No início de fevereiro, a equipe do projeto recebeu a informação de que os pagamentos referentes ao mês de janeiro haviam sido negados, condicionados a uma análise do Escritório de Administração e Orçamento (OMB) do governo americano. A negativa ocorreu em meio a uma série de restrições à atividade científica impostas pela administração Trump, que incluiu congelamento de verbas, suspensão de programas e demissões em massa no NIH.
Diante da incerteza sobre a continuidade do financiamento, a professora Sabino suspendeu temporariamente os trabalhos. “Como é que eu vou continuar o estudo sem saber se vou ter dinheiro para pagar as contas?”, questionou a pesquisadora.
No entanto, em meio a contestações judiciais contra essas restrições, um juiz americano determinou o desbloqueio dos recursos para pesquisas do NIH. Após tomar conhecimento da decisão, Sabino submeteu uma nova ordem de pagamento de US$ 50 mil para cobrir as despesas dos meses de janeiro e fevereiro. Quatro dias depois, o pagamento foi realizado e a equipe pôde retomar os trabalhos. “Estamos nos arriscando um pouco, mas voltamos a trabalhar”, afirmou a pesquisadora.
Incertezas sobre o futuro
Apesar da retomada do projeto, ainda há muitas incertezas sobre o futuro do financiamento. A pesquisadora não recebeu nenhuma comunicação oficial do NIH e teme que novos cortes possam comprometer a continuidade dos estudos. A agência americana segue sob forte pressão para se adequar às novas diretrizes políticas do governo Trump, com mais de mil funcionários demitidos e diversas atividades suspensas.
A pesquisa foi aprovada pelo NIH em 2022 com duração de cinco anos e um orçamento anual de US$ 400 mil. Em março, o projeto passará por um processo de renovação de contrato, o que pode resultar em revisões no financiamento, dependendo da situação orçamentária e das novas prioridades da agência.
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