Paraguai Cobra Explicações do Brasil Sobre Suposto Monitoramento da Abin
Paraguai Cobra Explicações do Brasil Sobre Suposto Monitoramento da Abin
O Paraguai convocou o embaixador do Brasil no país, José Antônio Marcondes, para prestar esclarecimentos sobre o suposto monitoramento realizado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em sistemas do governo paraguaio. A suspeita, revelada por um funcionário da própria Abin em depoimento à Polícia Federal (PF), é de que a agência teria conduzido invasões hacker a plataformas governamentais paraguaias para obter dados sigilosos relacionados às negociações do Anexo C do Tratado de Itaipu.
A revelação caiu como uma bomba em Assunção, onde o chanceler Rubén Ramírez classificou o episódio como “delicado” e exigiu uma resposta formal do Brasil. Javier Giménez García de Zúñiga, ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, anunciou a suspensão indefinida das negociações do Anexo C até que o caso seja esclarecido. Segundo ele, a confiança entre os dois países precisa ser restaurada antes que os diálogos possam continuar.
Monitoramento da Abin e Repercussão Internacional
De acordo com o depoimento do funcionário da Abin à PF, a invasão aos sistemas do governo paraguaio teria começado ainda no governo Jair Bolsonaro, mas prosseguido durante a gestão Lula, com suposta autorização do atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa, e do ex-diretor interino Saulo de Cunha Moura. O governo brasileiro, por sua vez, afirmou em nota que interrompeu imediatamente a operação assim que tomou conhecimento dela, em março de 2023.
A denúncia gerou forte repercussão internacional, colocando em xeque a relação bilateral entre Brasil e Paraguai. O inquérito instaurado pela Polícia Federal busca apurar tanto o vazamento dessas informações quanto a possível existência de uma estrutura paralela dentro da Abin, que teria utilizado recursos da agência para práticas ilícitas. A suposta espionagem teria mirado autoridades paraguaias, incluindo membros do Congresso e da Presidência da República, tornando o caso ainda mais sensível.
Anexo C de Itaipu: O Ponto Central da Crise
O estopim do escândalo é o Anexo C do Tratado de Itaipu, que trata das condições de comercialização da energia gerada pela usina binacional. Atualmente, o Paraguai busca maior autonomia para vender seu excedente energético no mercado livre, enquanto o Brasil pretende eliminar a obrigação de compra dessa energia pelas distribuidoras das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste a partir de 2026. Com a suspensão das negociações, o impasse se agrava e pode afetar os planos energéticos de ambos os países.
Enquanto o Paraguai pressiona por respostas e a PF aprofunda as investigações, a relação diplomática entre os dois países entra em um momento de tensão. O caso levanta questionamentos sobre os limites das operações de inteligência e o impacto de tais ações na confiança entre nações parceiras.
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