Belém se reinventa: Centro de Inovação e Bioeconomia é símbolo do legado da COP30
Belém se reinventa: Centro de Inovação e Bioeconomia é símbolo do legado da COP30
Belém não será apenas a sede da COP30. Será também palco de uma transformação estrutural com raízes profundas na sustentabilidade e na justiça social. Um dos marcos mais relevantes desse movimento é a criação do Centro de Inovação e Bioeconomia de Belém (CIBB), um projeto que une tradição, tecnologia e compromisso com o futuro.
A obra, realizada com apoio da Itaipu Binacional por meio do Convênio 71, integra o pacote de ações estruturantes voltadas para a realização da Conferência da ONU sobre o Clima. Mas vai além: é um investimento de longo prazo na economia local, na biodiversidade amazônica e no empreendedorismo regional.
Uma cidade que respira inovação e floresta
Instalado no Casarão Higson, edificação histórica com vista para o Rio Guamá e ao lado do Ver-o-Peso, o CIBB nasce como um polo de bioeconomia e desenvolvimento sustentável. O espaço vai abrigar cerca de vinte startups, com atuação em áreas como biojoias, bioperfumaria, fitofármacos e produtos da sociobiodiversidade.
A iniciativa é mais do que um projeto de infraestrutura. É um passo estratégico rumo a uma economia verde, inclusiva e de baixo carbono. Para Carina Pimenta, secretária nacional de Bioeconomia, o Centro representa uma plataforma concreta de apoio aos empreendimentos sustentáveis e um ponto de disseminação da bioeconomia para a sociedade.
Bioeconomia: a nova fronteira do desenvolvimento
Segundo o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, a bioeconomia global pode gerar até US$ 7,7 trilhões até 2030. Isso significa oportunidades reais para quem aposta em produtos de base biológica como alternativa aos convencionais. Belém, enraizada na Amazônia, com saberes tradicionais e insumos únicos, desponta como protagonista natural neste cenário.
O projeto é um exemplo de como a COP30 está deixando um legado tangível, com impacto direto sobre o desenvolvimento local. “Mais do que estruturas físicas, estamos construindo novas formas de viver e gerar renda em harmonia com o meio ambiente”, afirma Olmo Xavier, diretor da Secretaria para a COP30.
Itaipu e o maior investimento da sua história fora da região binacional
A participação da Itaipu Binacional, maior geradora de energia limpa do mundo, é decisiva. O aporte de R$ 1,3 bilhão contempla, além do CIBB, projetos como barcos movidos a hidrogênio, ações de educação ambiental e reforma de unidades de reciclagem. Trata-se do maior investimento da empresa fora da sua área de atuação original.
“A missão da Itaipu é também socioambiental, e a COP30 é o cenário ideal para ampliar esse compromisso”, reforçou Enio Verri, diretor-geral brasileiro da empresa.
Do campo à conferência global: o exemplo de Dona Nena
Belém já é solo fértil para a bioeconomia. O projeto “Filha do Combu”, liderado por Dona Nena, é um símbolo dessa vocação. A empresária transforma cacau nativo em chocolates orgânicos, mantendo a floresta em pé e gerando renda para sua comunidade na Ilha do Combu. Seu empreendimento já ultrapassa R$ 1 milhão em receita anual.
O impacto do seu trabalho foi reconhecido internacionalmente. Em 2024, durante visita à ilha, os presidentes Lula e Emmanuel Macron anunciaram um pacote de R$ 5,4 bilhões para a bioeconomia da Amazônia e da Guiana Francesa. Para Dona Nena, o objetivo é claro: “Não é só sobre produzir chocolate, é sobre manter o povo na floresta, com dignidade.”
O Brasil como voz ativa na bioeconomia global
O CIBB é parte de um movimento maior. Em 2024, o Brasil lançou a Estratégia Nacional de Bioeconomia, reforçando seu papel de liderança internacional no tema. No G20, presidido pelo Brasil, foi criada a Iniciativa de Bioeconomia. E agora, à frente da COP30 e da presidência do BRICS, o país reforça o multilateralismo ambiental como um pilar para o crescimento sustentável.
“O futuro do Brasil passa pela floresta. E a bioeconomia é o caminho que conecta nossas riquezas naturais à geração de emprego e renda com responsabilidade ambiental”, conclui Carina Pimenta.
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Boa matéria!