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Saúde íntima de mulheres com deficiência: o debate que precisa ganhar voz

Especialistas alertam para invisibilidade do tema

O debate sobre saúde íntima de mulheres com deficiência precisa ganhar espaço e reconhecimento. #Linkezine 🌸

Saúde íntima de mulheres com deficiência: o debate que precisa ganhar voz

Especialistas alertam para invisibilidade do tema

Quando se fala em saúde da mulher, campanhas e consultas costumam girar em torno de prevenção, menopausa e saúde reprodutiva. Mas há uma realidade que permanece à margem: os desafios da saúde íntima enfrentados por mulheres com deficiência.

Questões como ressecamento vaginal, infecções urinárias recorrentes, alterações de sensibilidade, desconforto nas relações sexuais e impactos na autoestima fazem parte da rotina de muitas mulheres com mobilidade reduzida ou lesão medular. Apesar disso, o tema ainda é pouco discutido nos serviços de saúde e na sociedade. Segundo o IBGE, mais de 18 milhões de brasileiras vivem com algum tipo de deficiência, mas suas demandas íntimas seguem invisibilizadas.

A biomédica e modelo paranaense Sarah Buenno, paraplégica há oito anos após ser vítima de violência urbana, compartilha sua experiência: “Muitas vezes a sociedade nos vê apenas pela limitação física e esquece que continuamos sendo mulheres, com desejos e necessidades de cuidado. Durante muito tempo, esses assuntos simplesmente não eram discutidos.” Para ela, buscar informações e cuidados voltados à saúde íntima foi um processo de reconexão com o próprio corpo.

A ginecologista Mirelle Ossipi Ruivo, referência em ginecologia regenerativa, explica que mulheres com deficiência enfrentam os mesmos processos biológicos que qualquer outra mulher, mas com impactos potencializados. Alterações hormonais, envelhecimento e uso de medicamentos podem provocar perda de colágeno, ressecamento e desconfortos que afetam diretamente a qualidade de vida. “Melhorar o conforto íntimo representa mais autonomia, bem-estar e autoestima. O mais importante é garantir acesso à informação e acolhimento”, afirma.

Nos últimos anos, a ginecologia regenerativa ampliou recursos terapêuticos, como tecnologias que estimulam a produção de colágeno e promovem regeneração tecidual. Em casos específicos, procedimentos como a ninfoplastia podem corrigir alterações anatômicas que causam dor ou incômodo. Mais do que estética, o objetivo é devolver funcionalidade e qualidade de vida.

Para Mirelle, que também fundou a rede Mulherez, o debate vai além dos tratamentos: “Precisamos falar sobre inclusão. Mulheres com deficiência passam pela menopausa, têm vida sexual e merecem ter suas demandas reconhecidas.”

Sarah reforça: “Quanto mais falarmos sobre isso, mais mulheres vão entender que não precisam conviver com desconfortos em silêncio. A deficiência não apaga quem somos.”

 

🌸 Inclusão também passa pela saúde íntima. Mulheres com deficiência merecem acolhimento, informação e cuidado.  #SaudeFeminina #InclusaoReal

 

 

 

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