Escândalos, denúncias e grilagem marcam trajetória de Samir Xaud
Escândalos, denúncias e grilagem marcam trajetória de Samir Xaud
A poucos dias de ser eleito, sem concorrência, para a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o nome de Samir Xaud passou a ser alvo de questionamentos públicos. Médico de 41 anos, com apoio massivo de federações estaduais e clubes, ele carrega um histórico marcado por suspeitas de corrupção, escândalos familiares e acusações de grilagem.
Samir é filho de Zeca Xaud, presidente da Federação Roraimense de Futebol, e acumula tentativas frustradas de ingressar na política. Embora se apresente como símbolo de renovação no futebol brasileiro, seu nome tem sido ligado a uma série de investigações judiciais e conexões familiares envoltas em polêmicas públicas.
Acusações de improbidade e fraudes na saúde
Entre os processos que envolvem Samir Xaud está uma ação de improbidade administrativa, ainda em tramitação no Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR). O caso, segundo o Ministério Público, envolve suposta falsificação de documentos para simular atendimentos médicos inexistentes enquanto ele ocupava cargo de direção no Hospital Geral de Roraima. A prática teria beneficiado indevidamente uma cooperativa médica, causando prejuízo de R$ 1,4 milhão aos cofres públicos.
Apesar de inicialmente ter declarado que o processo foi arquivado, documentos judiciais confirmam a continuidade da ação. A defesa, no entanto, argumenta que Samir se referia a um procedimento administrativo interno já encerrado.
Relações familiares sob investigação
As ligações familiares de Xaud também levantam suspeitas. Suas irmãs, Samara e Sandrea, estão associadas a figuras envolvidas em escândalos políticos. Samara foi assessora de Chico Rodrigues, senador flagrado com dinheiro escondido na cueca, e é casada com Jean Frank Lobato, investigado pela Polícia Federal. Já Sandrea é esposa de Roger Pimentel, acusado de fraudes na venda de testes de Covid-19 durante a pandemia.
Além disso, Samir é sócio da empresa Life Fitness, com Simone Bekel, presa em 2018 durante a Operação Escuridão, da PF, que apurou fraudes em contratos públicos em Roraima.
Grilagem e terreno em área de proteção
Outro ponto controverso envolve uma fazenda em nome de Samir localizada dentro da Reserva Itapará-Boiaçu, no sul de Roraima — uma área de proteção ambiental. A propriedade consta entre os imóveis com Cadastro Ambiental Rural (CAR) suspenso por invadir território de conservação. O registro cartorial só foi feito 13 anos após a posse declarada. A defesa nega a propriedade e afirma que não há nenhum processo fundiário em nome do candidato.
Defesa afirma idoneidade
A equipe jurídica de Samir Xaud divulgou uma nota alegando que o candidato não possui pendências judiciais e apresentou certidões negativas emitidas por diversos órgãos. A defesa também sustenta que nenhuma infração ambiental está registrada em nome dele e reforça a legalidade de sua atuação como gestor público.
Eleição sem concorrência
No próximo domingo, Xaud deve ser confirmado como novo presidente da CBF, em uma eleição marcada pela ausência de oposição, após conseguir o apoio de 25 das 27 federações estaduais e de 10 clubes. A votação foi convocada após o afastamento judicial de Ednaldo Rodrigues, e ocorre sob a intervenção de Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney.
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